da Redação
Publicado em 28/04/2008 às 8:35
Água acumulada na PB garante segurança hídrica por dois anos
Estado estimula o uso racional da água acumulada para evitar desabastecimento futuro.
Mais de 80% da população da Paraíba terá segurança hídrica pelos próximos dois anos em razão do acúmulo de água proporcionado pelas fortes chuvas que caíram durante os meses de março e abril e que continuam caindo, embora em menor intensidade, nas várias regiões do Estado.
Para garantir o uso racional da água acumulada, especialmente nos grandes reservatórios e barragens do Estado, a exemplo de Coremas/Mãe D’Água (o maior do Estado, com mais de 1 bilhão de m³), Engenheiro Ávidos (em Cajazeiras), Boqueirão (na região de Campina Grande), Acauã, Nova Olinda e Gramame/Mamuaba, o Governo do Estado vai estimular a aplicação dos instrumentos de gestão previstos na Lei 9433, conforme observa o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), José Ernesto Souto.
Segundo ele, existe hoje na Paraíba uma demanda de 1,18 bilhão de metros cúbicos de água por ano, e a disponibilidade atual é de aproximadamente 4,10 bilhões de metros cúbicos acumulados, isso num cálculo presumido. Esse volume, conforme enfatiza, aproxima-se do cálculo relacionado às 123 barragens monitoradas pela Aesa, onde existe uma capacidade de acúmulo de 3,9 bilhões de m³ de água e aonde há hoje 3,7 bilhões de metros cúbicos armazenados, restando apenas uma média de 6% do total de barragens para que todas atinjam suas capacidades de acumulação total.
Teoricamente, de acordo com o presidente da Aesa, esse seria um volume que daria para suprir as necessidades totais de água do Estado por até dois anos, não fossem as variáveis que influenciam nas perdas de água, dentre as quais a evaporação. “Todos nós sabemos, por exemplo, que no açude de Boqueirão, na região de Campina Grande, se perde tanta água por evaporação quanto pelo uso. São valores quase idênticos. Então, dependendo dos fatores climáticos, essa água poderá ter uma perda maior ou menor”, comenta José Ernesto.
Ele lembra também que os pequenos açudes (aqueles que têm capacidade inferior a 30 milhões de m³ de água), muitas vezes secam com maior rapidez. Esses açudes com capacidade menor que 30 milhões de m³ de água são maioria absoluta entre os 10 mil açudes do Estado, uma vez que apenas 192 têm capacidade superior a este número.
Conscientização popular
A intervenção do Governo do Estado no sentido de garantir o melhor aproveitamento do suporte hídrico acumulado em razão do inverno será voltada especialmente para o uso mais consciente e racional da água. A tônica principal, segundo o presidente da Aesa, José Ernesto Souto, será a conscientização de que as pessoas só devem utilizar aquilo que realmente necessitam.
“Normalmente as pessoas dão duas ou três descargas por vez; deixam torneiras das pias abertas; lavam carros com água que daria para lavar meia dúzia de automóveis, e assim por diante”, observa, salientando que, com o objetivo de viabilizar mudanças nesse quadro, o governo vai estimular a gestão consciente dos recursos hídricos, fazendo com que as pessoas entendam que a água é um bem natural que tem finitude, que acaba e que depende também das condições climáticas para ser reposto.
O Norte
