Nelson Coelho
Publicado em 04/10/2008 às 10:06
Uma Festa da Democracia
(De Santa Luzia do Sabuji) – Em 04.10.2008, às vésperas de mais uma eleição por mim vivida e testemunhada, relembro com muita saudade o instante em que eu exerci, pela primeira vez, um dos maiores deveres de cidadão: o direito de votar e ser votado. Aos dezoitos anos, em 03 de outubro de 1960, com um misto de curiosidade e orgulho pessoal, fui às urnas para votar e eleger o Presidente e o Vice-Presidente da República, o Governador e o Vice-Governador da Paraíba. Votando em primeiro lugar, em virtude de presidir a mesa receptora de votos, conduzi os trabalhos da trigésima terceira secção, da vigésima sexta zona eleitoral, sediada em Santa Luzia do Sabuji, que funcionava no Distrito de São José de Manuel Pinto, hoje uma desenvolvida cidade do vale glorioso. O juiz eleitoral era o saudoso Hamilton de Sousa Neves que, acreditando nos jovens, incumbira-me daquela missão que, normalmente, era entregue aos cidadãos da região mais provectos. A tarefa recebida foi exitosamente cumprida, daí os elogios que meu trabalho mereceu do magistrado quando da apuração dos sufrágios no dia seguinte a realização do pleito.
Na oportunidade daquela eleição, havia uma acendrada esperança do povo brasileiro e paraibano de necessárias e imperiosas mudanças, radicais e estruturantes, na malha social do Brasil. Votei nos candidatos da UDN (União Democrática Nacional) Jânio Quadros, o homem da “vassoura”, e Milton Campos, Presidente e Vice-Presidente do Brasil; Pedro Gondim e Zabilo Gadelha, Governador e Vice-Governador da Paraíba. Dos meus primeiros quatro votos, só não consegui vitória em um: Milton Campos perdeu para João Goulart, do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Com muita honra, tornei-me logo depois auxiliar de confiança do governador Pedro Gondim, a quem servi com dedicação e lealdade. Entretanto quanto à vida pública nacional, frustrei-me tremendamente em face da renuncia de Jânio Quadros à Presidência da República, pois justamente era este cidadão que encarnava o sonho de uma administração diferente, a esperança maior dos patrícios de ver a nação governada por alguém capaz de tornar realidade o anseio coletivo de progresso e de desenvolvimento de toda nacionalidade.
Desde aquele longínquo 03 de outubro de 1960 até a presente data, já ocorreram vinte e sete (27) eleições no Brasil. Presidentes, Governadores, Senadores, Deputados (federais e estaduais), Prefeitos e Vereadores foram votados e eleitos, alguns desempenhando bem seus mandatos e outros frustrando o eleitor brasileiro. Dentre estas eleições, algumas a guisa do jugo militar não foram tão livres de acordo com os cânones da democracia, muito embora, na hora do voto na cabine secreta, não se pode dizer que a força da baioneta tenha feito prevale-cer à vontade da ditadura. Diretamente ou indiretamente, eu participei de todos estes pleitos. Somente e uma oportunidade, em 1978, fui candidato a deputado estadual, não logrei êxito. Entendo que o exercício constante do voto transforma uma sociedade em estado democrático de direito pleno, aprimorado nos seus costumes, com o eleitorado consciente na hora de escolher bem seus representantes e administradores.
Eu me indago se após tantas eleições, participando de experiências diversas, não esteja cansado desta intensa “faena”? Não e não! Acho que, aos sessenta e seis anos, tenho condições de usar, queira Deus que muito tempo ainda, a tribuna da imprensa, em nome de todos aqueles que não possuem espaço tão privilegiado para contribuir, por pouco que seja, com a grande causa da nossa sociedade que quer ser governada por pessoas capazes de lhe atender nas suas necessidades básicas. Vamos continuar doutrinando, exigindo os candidatos compromissos de campanha que possam ser transformados em programas de governo. As eleições, tenho para mim, não cansam, pois elas se constituem em oportunidades para se propugnar por mudanças, uma festa da democracia. O voto é uma arma letal contra os que enganam e traem a confiança do cidadão, por isso o eleitor, munido do seu título, é um infante poderoso na luta pelos seus direitos de cidadão.
Quando esta matéria ainda estiver circulando na Internet, nós já teremos o veredicto das urnas, teremos os nomes dos escolhidos, bons ou maus, para gerir os destinos de 223 municípios paraibanos. Tenho fundadas esperanças de que os eleitos sintam-se compenetrados dos seus deveres e das suas obrigações perante seus concidadãos.
É para frente que se anda!
