Nelson Coelho
Publicado em 18/10/2008 às 10:22
A lei deve ser respeitada
A Justiça Eleitoral tem culpa sim quanto à heterodoxia criminosa com
que a campanha eleitoral em Campina Grande desenrola-se. O Governo do
Estado, tendo a frente o chefe do executivo, instala-se na Borborema e
promove uma interminável série de ações vedadas ética e moralmente
com o irrecusável propósito de beneficiar seu candidato a prefeito da
cidade Os procedimentos inescrupulosos são praticados a luz do dia, Ã
vista de todos, sem nenhuma forma de subterfúgio, e, lamentavelmente,
somente a Justiça Eleitoral não os enxerga. Não enxerga ou
identifica o dolo continuado porque, simplesmente, seus agentes se
recusam a atuar com rigor e rapidamente para pegar os delinqüentes com
a boca na botija. O que se pode esperar da lisura desta eleição que
tem um candidato patrocinado por um governante cassado, em dias de ser
defenestrado do poder por ter delinqüido para nele chegar e
permanecer. A Justiça cassa o governador em duas oportunidades e em
duas oportunidades lhe concede o direito de governar ?sub-judice?,
mesmo tendo conhecimento das suas usuais e deletérias práticas
amorais na condução de uma campanha eleitoral. Em não havendo lisura
no pleito de 26 de outubro, em Campina Grande, a culpa será
literalmente da Justiça Eleitoral que funciona com lentidão, quase
parando, relevando a capacidade e poder delinqüente do principal
envolvido, por isso não pode cobrar explicações de quem quer que
seja. Não acredito que o sertanejo, desembargador Nilo Ramalho, tenha
medo ou se vergue diante das fanfarrices de ninguém, mas é preciso
agir. E rapidamente, transformando-se em totem amedrontando os
delinqüentes, e tabu contra crime.
Não é necessário ir muito longe a Justiça Eleitoral para encontrar o
culpado maior na monstruosa fraude que se perpetra nas eleições de
Campina Grande, basta analisar o seguinte: o comandante do trucidamento
previsto é o governador do Estado, seus ajudantes são os secretários,
assessores diretos e presidentes de autarquias, todos postados em
Campina Grande, vindos de João Pessoa, com diárias pagas pelo erário
e automóveis oficiais abastecidos de gasolina com dinheiro do
contribuinte. Há notÃcias de que o governo vem desistindo de
execuções fiscais contra comerciantes poderosos. O voto é a
mercadoria de troca. A Justiça Eleitoral, sem maiores delongas,
deveria pedir ao Tribunal de Contas do Estado ou através de auditoria
independente uma investigação séria e rápida para detectar a origem
dos recursos que o governo do Estado, neste instante da campanha
eleitoral, está gastando desbragadamente em Campina Grande. Assistir
de braços cruzados um candidato ser trucidado, e não impedir que um
outro seja favorecido pelos auspÃcios oficiais, não parece ser um
procedimento correto da Justiça Eleitoral, ao contrário: trata-se de
velada omissão que merece a repulsa da sociedade e a devida punição
por quem de direito. O grupo que se encontra no poder, quase que
hereditariedade, não tem o menor escrúpulo nas ações que pratica
para nele se eternizar. O comandante da mutreta em andamento está
identificado Em qualquer campo da interação humana na ParaÃba, os
componentes são afeitos à ribalta dos escândalos escândalo. Da
tentativa de morte em diante tudo é normal para o clã. Se a Justiça
Eleitoral não barrar a gula homérica dessa gente, saudade cidadania,
saudade direitos individuais, saudade a própria lei! O Estado de
Direito Democrático em Campina Grande vai se transformar em mito! O
cronista não está inventando nada, sobre tudo quanto disse neste
comentário há registros irrecorrÃveis na história da ParaÃba.
A IGREJA CATÓLICA
Depois do ConcÃlio Vaticano II, realizado em 1962, a Igreja Católica
cingiu-se, seus prelados passaram a professar os ensinamentos de Jesus
Cristo de formas distintas, chegando às raias de um extremismo
inconseqüente. As duas correntes iniciaram um processo autofágico, de
conseqüências nocivas ao rebanho católico e mesmo quarenta e quatro
anos depois os desencontros de idéias havidos entre os prÃncipes de
Roma desarvoram o mundo cristão. A resultante dessa divergência foi o
crescimento das igrejas evangélicas, em número assustador. Vejamos o
exemplo da ParaÃba:
1 – dom José Maria Pires, bispo emérito da ParaÃba, exerceu seu
pastoreio entre nós como um legÃtimo representante da Igreja de Jesus
Cristo dos primeiros dias, do sofrimento dos seus seguidores face Ã
impiedosa perseguição feita pelas autoridades romanas, encerrada nos
espetáculos dantescos (sangrentos e medievais) do Coliseu. Por assim
proceder, dom José Maria Pires sempre esteve atento na defesa dos
humildes e injustiçados, abominava o fausto e corria do mundano,
tampouco se envolveu (em nenhum instante) com a polÃtica partidária
no Estado. Não se conhece na ParaÃba um só gesto de dom José Maria
Pires, durante seu longo pastoreio, capaz de dividir a famÃlia
paraibana, ele cuidava da alma e deixava que o Estado cuidasse do
corpo. É assim que deve ser.
2 – atual arcebispo da ParaÃba, dom Aldo Pagotto, o reverso da medalha.
Veste como uma luva no comportamento de prelado o ouro que simboliza a
riqueza do Vaticano, as vestes púrpuras dos seus dignitários, as
cadeiras gestatórias que conduzem homens e não santos, o ar
condicionado do poder, os editos do Diário Oficial, a ribalta da
mÃdia, o spot dos palanques polÃticos e o dinheiro liberado pelo
erário estadual. Comportando-se assim é natural sua constante
participação no guia eleitoral de candidatos governistas. Magnetizado
pela força do poder terreno, o pastor desagrada grande parte dos
católicos paraibanos, dividindo-os. Sem valorizar a Igreja de Jesus
Cristo dos primeiros dias, dom Aldo Pagotto desrespeita a memória de
milhares de mártires que ajudaram a erigir os primeiros pilares da
grande casa do Salvador da Humanidade! Muito sangue foi derramado. Se
dom Aldo cuidar mais do seu rebanho, o crescimento dos evangélicos
arrefecerá. O católico deseja um bom guia espiritual, o lÃder
polÃtico ou candidato ele escolhe de acordo com suas convicções!
Dizem que é iminente uma nova participação de dom Aldo no guia
eleitoral do PSDB, em Campina Grande.
A IMPRENSA CHAPA-BRANCA
A imprensa chapa-branca, os coleguinhas que adoram o ?jabá?
continuam na faina amoral de enaltecer uma corrente (o governo) e
desprezar os argumentos da outra (a oposição). O governismo tem
sempre razão, o oposicionismo nada tem de verdadeiro ? tudo é
ficção. Isso tem que parar. Somente os releases do governismo são
publicados, os informes da oposição têm o destino do cesto. É
preciso vergonha na cara do profissional de imprensa para o exercÃcio
da nobre missão de informar. Há que se noticiar o fato e a versão de
ambos os lados – do contrário, muito em breve, assistiremos uma
proclamada unanimidade à s avessas, transmitida através da mÃdia,
impressa, falada, televisiva e da internet, escondendo um lixo que os
“chapas-brancas” não registram porque são pagos para não
fazê-lo. A história não perdoará os seus autores. Será que algum
jornalista da ParaÃba, por mais contra-cheques que receba do governo
estadual no final de cada mês, possa esconder ou negar que o
governador Cássio Cunha Lima foi cassado duas vezes por conduta vedada
ao administrador? Foi cassado porque cometeu, no exercÃcio da função,
impropriedades dolosas. Delinqüiu, finalmente. Esta é a verdade.
Alguém se arrisca a desmentir?
É para frente que se anda!
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Nelson Coelho
Nelson Coelho da Silva, 66, Defensor Público aposentado, escritor, jornalista, historiador, ex-Superintendente do jornal A União, membro efetivo do IHGP – Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, autor dos seguintes trabalhos: Discurso de Posse no IHGP, A Cronologia dos Fatos da Visão de um Repórter, Após o Fim da Polaca, A Costura da Unidade, Palanque, A Margem da PolÃtica, Memória PolÃtica, Esquina do Tempo, Palestra sobre Odilon Ribeiro Coutinho, Discurso na Assembléia Legislativa, A Tragédia de Mari, O Pontificado dos Papas Bento e em fase de edição Do Gulliver ao Campestre, A História de Um Esbulho e Porque Vivi, Posso Contar Antes que Seja Tardehttp://paraibanews.com/author/nelsoncoelho
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