Carlos Priess
Publicado em 04/01/2009 às 22:05 - 154 exibições

Jornalista Dalmo Vieira – Irmão e amigo!

Muito do que podemos falar a respeito do jornalista e advogado Dalmo Vieira, não será suficiente para demonstrar a grandeza desse verdadeiro irmão, com quem tive o privilégio de privar durante tantos anos.Com toda a sua irreverência e o seu vocabulário único, era, entretanto, um ser humano extremamente solidário e fraterno com os seus amigos leais.

Num determinado momento de minha vida, nos idos de 1964, marcado que estava pela ditadura militar, para ser preso, como comunista, por ser um dos fundadores do Colégio Pedro Antônio Fayal, do qual era Presidente da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos e aluno do primeiro grau, tive uma grande prova de coragem e solidariedade de Dalmo Vieira.

Diante das notícias que circulavam que estavam prendendo os comunistas e jogando em alto mar, com uma pedra no pescoço, procurei me refugiar na casa de minha mãe, pois poderia ser, se isto fosse possível, até um herói, porém, mártir jamais.

No dia 9 de abril de 1964, resolvi que deveria me entregar às autoridades militares, pois meus companheiros estavam sendo presos, e não poderia deixar de responder aos novos detentores do Poder, pelo “crime” de ter sido um idealista, um sonhador, um romântico, que tinha a ilusão de poder ajudar a salvar o país, a partir de Itajaí. Uma doce ilusão, mas era fruto de um ideal.

Tomada à decisão de me entregar, pedi a minha mulher que procurasse o Dr. Dalmo Vieira e o Dr. Afonso Celso Liberato, que um como advogado e o outro como médico, gostaria que me vissem, e pudessem um dia se necessário, comprovar que havia me entregue vivo. Eles foram ao meu esconderijo, e até levaram um susto, pois, dizia-se muito de que os comunistas estavam no Morro do Baú, preparando uma guerrilha. Pura burrice e invencionice daqueles que nada tinham o quê fazer.

Ambos façam-se esse registro, em memória, foram valentes e corajosos e resolveram me acompanhar até a Capitania dos Portos onde me entreguei ao Capitão Sérgio Ipiranga Guaranys, que comandava as forças da repressão. E ainda recomendaram àquela autoridade para que preservasse a integridade física deste articulista e dos demais que estavam sendo presos.

O Dalmo Vieira ainda frisou que se algo acontecesse pelo menos a mim, que ele estava acompanhando, haveria de lutar em qualquer instância para demonstrar o que pudesse estar sendo feito de ruim, pela ditadura.

Por certo, os presos políticos de Itajaí sofreram menos, graças ao valoroso advogado Dalmo Vieira. Fui sempre um devedor a esses dois grandes, bravos e destemidos itajaienses Dalmo Vieira e Afonso Celso Liberato.

Agora mesmo, nessa viagem, em que o Dalmo perdeu a vida, ele me telefonou para dizer que lamentava ter sido publicada uma inverdade de um dos colaboradores do Diarinho. E ele, como sempre, dentro de sua irreverência ainda me falou: “… não te preocupe, aquele toco de amarrar bode só destila ódio, e é um defeca terreiro, um infeliz…”.

Dalmo Vieira – rogo a Deus para que tenhas um descanso tranqüilo, e se puderes aí no Céu publicar um jornal, o faça, e comece criticando São Pedro, por fazer chover pouco em muitos lugares e demais e tantos outros.

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Carlos Priess

CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de Itajaí, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de Itajaí.

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