Carlos Priess
Publicado em 16/02/2009 às 7:13
A tragédia da velhice!
Segundo a história, houve época em que os sacrifícios oferecidos a Deus consistiam na imolação de cordeiros, considerados símbolos da inocência e da pureza.
Na atualidade, são homenageados os políticos, os deuses da injustiça, da corrupção e da violência, levando-se ao sacrifício os velhos, por serem para eles, inúteis e indesejáveis para os cofres púbicos, a quem são apenas onerosos, e quanto mais cedo morrerem, melhor para as elites políticas.
Os velhos são imolados aos milhares e milhares em nosso país, pois lhes é, inclusive, negado trabalhar para complementar suas míseras aposentadorias, sendo também sacrificados nas filas do INSS e do SUS. Até para tirar um atestado de óbito, é preciso suplicar, para o sepultamento de qualquer ente querido que tenha sido ceifado pela doença e na maioria das vezes pela fome.
A classe política dominante, que se mantém no poder, tira da velhice, o direito à vida, além de privar, é claro, aos filhos dos pobres de terem alegria, e submete a nossa juventude à rebeldia funk, uma forma inútil, burra e até criminosa de diversão e passatempo.
Aos idosos é negada uma vida condigna, porque são privados de qualquer opção, pela qual sonharam e lutaram, pois são levados pelo nosso sistema de previdência, ao desamparo e à decadência, e nem trabalhar, aqueles que ainda podem, têm esse direito elementar. O sistema discrimina as pessoas idosas.
As aposentadorias são vergonhosas, e trabalhar, seria rigorosamente necessário, para manter uma melhoria em sua vida, mas a classe política que legisla também se julgou no direito de proibir o homem de trabalhar para melhorar o seu sustento.
O servidor público, mais que o da iniciativa privada, é impedido pela Constituição de trabalhar, pois em seu artigo 40, II, decreta: “O servidor será aposentado, compulsoriamente, aos setenta anos de idade”. E a constituição brasileira, foi aprovada por um bando de velhos decrépitos, umas múmias coroadas como os príncipes da Assembléia Nacional Constituinte.
Em verdade, estamos todos nós, simples mortais, que não participamos do império que nos governa, envelhecendo com uma profunda sensação de vergonha e sem qualquer alegria.
Os velhos são discriminados, reduzidos à condição de sucata humana, jogados num “pasto sem capim”, marginalizados em benefício dos poderosos, que desviam verbas destinadas à assistência social, esquecidos de que foram, ontem, os construtores deste progresso, agora esbanjado pelas maracutaias e mutretas.
O povo brasileiro envelhece com uma forte sensação de vergonha, pois é governado, desgraçadamente com os nossos votos, por ladrões de senhas, traficantes de influência, os saqueadores dos cofres públicos, à custa da fome.
As opiniões expressas ou insinuadas nas colunas deste portal pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do ParaibaNews.com ficando o portal livre de qualquer responsabilidade sobre qualquer consequência.
Carlos Priess
CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de Itajaí, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de Itajaí.http://www.paraibanews.com/author/priess
carlos@priess.com.br
» mais artigos do colunista

