Carlos Priess
Publicado em 03/03/2009 às 8:03 - 55 exibições

A artificialidade da crise!

O que mais se ouve nos noticiários, é a chamada crise da economia mundial, que a todos preocupa, deixando uma impressão maior do problema, que tem sido um assunto recorrente em todos os lugares. Em um mundo cada dia mais globalizado, a economia ganha fundamental importância nas relações entre países e seus cidadãos, por isso uma crise como a atual, produz conseqüências tão impiedosas para a grande maioria da população.

O reflexo é mundial, o que significa que ninguém está imune a ela e não há como ficar à margem de seus efeitos, já que artífices da derrocada são os melhores cientistas do mal, arquitetando, desta feita, um jogo meramente político para tirar vantagens.

Mas é importante que se saiba, sempre estaremos vivendo uma crise, que faz parte do sistema capitalista. Basta refletir sobre o passado e veremos que as crises econômicas cíclicas são características permanentes da economia, em qualquer das suas épocas históricas.

Como ela é artificial, para as classes dominantes, temos que enxergar a crise e inúmeros jeitos de senti-la, sem nos amedrontar, até porque, para alguns é apenas a questão monetária: menos dinheiro em circulação, lucros menores, queda das bolsas, prejuízos para investidores, retração no consumo, maior inadimplência, empresas com menor valor de mercado e um monte de falências que atinge vários segmentos de mercado. Tudo para atender a volúpia do sistema bancário do mundo. Nada mais que isso.

O que existe de grave, são os problemas sociais, com o aumento do índice de desemprego, que produz um ciclo de realidades nefastas: milhares de demissões deterioram o padrão de vida dos cidadãos, provocam insegurança nas famílias, frustram planos e projetos de vida, disseminam o medo em quem está empregado e criam mais problemas sociais.

Tudo é produzido em excesso, como por exemplo, automóveis. A capacidade de compra e de troca tem suas limitações e o que assistimos são as fábricas com seus páteos lotados, ocasionando assim, milhares de demissões, no mundo, deixando uma impressão maior, levando-nos a refletir que o supérfluo precisa ser deixado de lado.

Os problemas desse tipo têm muitos exemplos, e sempre o capitalismo supera as suas crises através da transferência dos seus custos àqueles que trabalham. E isto nos coloca frente a um velho tema, a luta de classes é fundamental. O capitalismo em decomposição somente tem se mantido na medida em que esse saque tem sido bem sucedido em razão das derrotas dos trabalhadores no plano internacional.

A chamada globalização está em plena ofensiva em todos os campos, especialmente após a restauração capitalista, naqueles países que foram socialistas. Os que trabalham têm demonstrado a sua capacidade de resistência e a sua potencialidade. A História tem nos dados grandes exemplos, como foi na França, nas insurreições da América Latina e nas lutas dentro da América do Norte, onde ainda é de se esperar um recrudescimento das lutas da classe trabalhadora, assim como na Europa.

A exuberância econômica se nos parece como algo muito bom, ruim é a artificialidade desta fase, calcada na fragilidade de um modelo que prega lucro a qualquer preço. A crise é econômica e séria, mas suas causas são conhecidas: ganância, egoísmo, consumo irracional, desequilíbrio social e devastação impiedosa da natureza.
Apesar, pois, do momento difícil, tudo nos parece altamente didático, podendo aprender muito ou podemos simplesmente ficar lastimando a crise. Aprender com os erros é instintivo do ser humano, mas infelizmente estamos dando vazão a outros instintos, e precisamos entender os artifícios dos Soberanos do mundo, adotando a sustentabilidade da cidadania num todo, também, no campo da ecologia e certamente sairemos da crise como verdadeiros vencedores, senão a crise nos vence.

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Carlos Priess

CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de Itajaí, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de Itajaí.

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