Carlos Priess
Publicado em 25/04/2009 às 9:50
Corrupção – Um mal sem fim!
O tempo está passando, a idade avançando e sentimos que nossos sonhos e anseios, e de milhões de brasileiros, julgando que poderíamos realmente mudar a história, para uma nova sociedade que se fundamentasse na Justiça, na Igualdade e na Fraternidade, contra a arrogância e a corrupção, continua sendo um ledo engano.
A corrupção parece não ter fim, pois até figuras, uns poucos, que nos iludiam, como honestos, também são corruptos. Em todas as esferas dos poderes existe corrupção. No bolsa família, na previdência social, além da transformação do Congresso Brasileiro, numa vergonhosa agência de viagens. Temos registros de corrupção, até no ProUni – Programa Universidade para Todos, que, no levantamento feito pelo Tribunal de Contas, verificou-se indícios de irregularidades que envolvem 30.627 bolsistas, ou seja 8% do total de 385 mil beneficiários, são filhos de ricos, recebendo bolsas de estudos, em prejuízo dos pobres.
O povo brasileiro já não acredita que esta situação possa mudar, até porque, a corrupção é um mal sem fim. E ficamos nos perguntando, até quando o Brasil vai suportar tanta corrupção? Somos um país com um povo pacato e de boa fé, de gente que acha ser a esperança a última que morre. Mas enquanto pensamos assim, os corruptos desviam milhões e milhões dos cofres públicos e nada acontece com eles. E o povo sofre com a miséria, a violência, a falta de educação, doenças e tudo de ruim que uma nação possa sofrer.
Nessa triste história das passagens aéreas, assistimos depoimentos que certamente nos desencanta. A frustração não é tanto com os políticos corruptos, pois, eles já não são dignos nem de nossa frustração, pois, não estão lá pelos seus méritos pessoais, mas porque foram elevados pelos votos que tiveram. A frustração maior é com os eleitores, nós cidadãos, que os colocamos no poder.
A frase célebre de Rui Barbosa, se encaixa bem nos dias de hoje, pois embora o país tenha evoluído, a história sempre se repete, e nem saímos do lugar:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
A chamada “grande crise mundial”, foi em verdade um golpe de banqueiros americanos, inclusive, com falsas falências de seus bancos, portanto, assistimos um crescente número de escândalos, também, na iniciativa privada. Conforme documento, da Transparência Internacional, os alemães, igualmente, acreditam que a corrupção no seu país, está aumentando seguida de uma alarmante perda da confiança na moral dos políticos.
O ato de corromper e ser corrompido faz parte do mecanismo que movimenta a maioria das sociedades, e não podemos nos ser protegidos pelo provérbio de que “o que os olhos não vêem, o coração não sente”.
Em nosso país, desgraçadamente, se associa a esse contexto histórico, a chamada Lei de Gerson, ou seja, o comportamento de querer “tirar vantagem em tudo”, pressupondo que os sujeitos aguardam o máximo possível de benefícios, visando exclusivamente o beneficio próprio.
Precisamos reconhecer que a corrupção é um tipo de comportamento, que se adapta perfeitamente ao “espírito capitalista”, como pré-condição esperada dos seres humanos numa sociedade centrada nos valores da economia de mercado.
A corrupção, historicamente, é mais antiga que o capitalismo, mas ela encontra no mesmo, condições ideais para sua continuidade, já que existe uma dominação forçada do capital sobre o trabalho, o que permite aos capitalistas a apropriação privada da mais valia gerada pelo trabalho de outros seres humanos, uma das formas mais cruéis de corrupção.
Embora seja mal sem fim, temos que lutar contra, pois do jeito que está, pode chegar o dia em que contaremos nos dedos o número de pessoas honestas e, nesse dia, os honrados serão os otários ou inertes que não sabem passar o outro para trás.
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Carlos Priess
CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de Itajaí, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de Itajaí.http://www.paraibanews.com/author/priess
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