Carlos Priess
Publicado em 18/05/2009 às 10:38
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“O descaso com a mãe água”
Vive o mundo um drama, com relação à questão dos recursos hÃdricos. Historicamente mal administrado, e, na busca de uma colaboração, fiz um trabalho, uma reflexão em verdade, sobre a busca da recuperação de nosso manancial, que mereceu a análise, abalizada, da Mestre em Saúde Ambiental da Univali, Professora Sandra Peluso e Silva, através de carta que me foi dirigida, me ajudando sobremaneira, nestas reflexões.
Concordo que apesar de tudo, fomos privilegiados e abençoados, pois voltamos sempre nossos olhares crÃticos ao nordeste, mas estamos desrespeitando a natureza a nossa volta, deixando os rios apodrecerem, com a colaboração da falta de sistemas de tratamentos, para as populações ribeirinhas e urbanas que devastaram as matas, permitindo que lixos e esgotos escoem leito abaixo, além das arrozeiras, que vertem águas contaminadas, indústrias sem tratamentos de efluentes. Tamanho é o descaso, que, pouco abaixo são captadas para o abastecimento público. O chorume que sai do tratamento do lixo também polui as arrozeiras e os rios.
Cada um de nós é responsável, e não temos tido a capacidade de nos indignar e lutar pela recuperação e preservação de nossos rios, assim como também, por uma constante educação e reeducação de nossa população, para que se tenha respeito pela natureza, e factivelmente se recupere as matas ciliares, retirando o lixo dos rios, que precisa saber como coletar e tratar o seu esgoto sanitário.
O sistema de esgoto sanitário não obedece à s mÃnimas regras de respeito ao lençol freático, à s polÃticas de saúde publica, à Agenda 21, enfim, à natureza e à população.
O próprio poder público autoriza a retirada de areia do leito dos rios, sem qualquer preocupação e respeito, o que também provoca a degradação do meio ambiente e a rápida contaminação das reservas superficiais e subterrâneas dos recursos hÃdricos.
Todas essas mazelas e irresponsabilidades contribuem para os problemas de saúde pública, e permitem o aumento das doenças e infecções intestinais, poliomielites, verminoses, atingindo principalmente para as crianças.
Importante acordarmos para a problemática da água, em favor das futuras gerações. Sendo nosso planeta possuidor de 3/4 de sua superfÃcie coberta de águas, apenas 1% está disponÃvel para o consumo humano, sendo, portanto, um tema extremamente importante para a sobrevivência da vida e que precisa ser encarado como um desafio, especialmente para os que moram nas áreas urbanas. Segundo dados fornecidos pela ONU e confirmados pelo IBGE, em nosso paÃs também, a maior concentração da população humana reside nas cidades, ultrapassando, pois, em muito, aquela residente nas zonas rurais.
Trata-se de um erro, pensar que a água seja uma fonte inesgotável, apesar de cobrir três quartos da superfÃcie do planeta, na ordem de 1,44 bilhão de quilômetros cúbicos, porém, 97% são de água salgada, e apenas 3% de água doce, sendo que, 2,3% estão armazenadas nas geleiras e calotas polares, e apenas 0,7%, portanto, cerca de 9 milhões de quilômetros cúbicos, no subsolo, lagos, rios e que são passÃveis de exploração.
A população cresce a cada dia e o desenvolvimento industrial e tecnológico mal administrados, a falta da execução das polÃticas públicas de saúde, o descaso com o meio ambiente, prejudicam, cada vez mais, a disponibilidade e a qualidade da água para o ser humano, apesar da situação privilegiada de nosso paÃs, que tem 53% da água da América Latina e 12% do total mundial. Mas temos que levar em conta, que 250 milhões de pessoas em 26 paÃses estão enfrentando uma falta crônica de recursos hÃdricos, e com uma previsão que daqui a 30 anos esse número saltará para 3 bilhões de pessoas em 52 paÃses.
O mundo tem assistido guerras em função de diferenças ideológicas, religiosas e pelo controle das reservas de petróleo, como aconteceu recentemente no Iraque, mas, ainda em nosso século, poderemos assistir a conflitos causados pela escassez da água. Temos que levar em conta que dentro de três décadas, nada menos 8 bilhões de seres humanos estarão habitando a Terra, e a maioria, é lógico, estará concentrada nas grandes cidades, e claro, com o aumento das necessidades de alimentos, energia, do consumo doméstico, industrial e agrÃcola de água.
Portanto, se continuarmos a usar nossos recursos hÃdricos, da forma como fazemos atualmente, com todo esse descaso pela água mãe, inclusive, provocando a poluição, estaremos restringindo criminosamente, à s futuras gerações o preciso lÃquido.
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Carlos Priess
CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de ItajaÃ, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de ItajaÃ.http://www.paraibanews.com/author/priess
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