da Redação
Publicado em 27/05/2009 às 7:36

Documentário sobre vida na residência universitária será lançado nesta quinta-feira

Por Taisa Dantas

Uma casa que abriga sonhos e o reconhecimento da busca por melhores condições de moradia, respeito e dignidade, este é o argumento do vídeo documentário “Eu marcharei na tua luta”, que será lançado nesta quinta-feira (28) às 19h30, na própria locação do vídeo, a Residência Universitária Feminina Elizabethe Teixeira (RUF I), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) localizada na Diogo Velho, 231, no Centro de João Pessoa.

Dirigido pela jornalista Renata Escarião, o documentário é construído a partir das falas de personagens que viveram as mais distintas fases do ambiente que desde a década de 60 abriga estudantes UFPB que não possuem residência em João Pessoa, e no ano de 2004 viveu um dos momentos mais significantes da sua história, a luta pela reforma.

Um ambiente sem estrutura adequada, em verdadeiro estado de abandono, com problemas hidráulicos, elétricos e por muitas vezes superlotado, essa realidade foi vivida durante muitos anos pelas residentes da RUF. Aliado a isso, preconceito e várias situações de discriminação sofridas pelas residentes, uniram as estudantes que iniciaram as reivindicações pela reforma estrutural da casa e pelo respeito àqueles que vivem nas residências universitárias.

“Este foi um momento muito marcante, pelo sentimento de justiça que nos moveu, pelas dificuldades que passamos durante todo o processo e ainda mais pelo sentimento de dever cumprido quando, depois de muita luta, conquistamos a reforma e melhoramos as condições de vida de todas as meninas”, comentou Renata Escarião, que além de dirigir, elaborou o roteiro a partir da sua vivência como uma das estudantes residentes e envolvidas na luta pela reforma.

Segundo Renata Escarião este também foi um momento histórico porque pela primeira vez mulheres ocuparam a reitoria da UFPB e exigindo reconhecimento, conseguiram fazer com que a cultura de desrespeito e descaso com moradores da residência universitária acabasse.

Toda essa movimentação política, de lutas intensas, são relembrados por meio dos depoimentos de quem viveu esse momento. Em meio a isso também é mostrado no vídeo “Eu marcharei na tua luta” o dia a dia de quem mora na residência universitária e ainda relatos de quem já passou por lá e sem dúvidas percebe a importância daquele espaço para centenas de estudantes que já moraram na RUF I.

“Eu marcharei na tua luta” é o primeiro trabalho da jornalista Renata Escarião na área do audiovisual e se divide entre um diário de quem já compartilhou dos dramas e das alegrias de residir na RUF I e de como jornalista fazer o registro de momentos marcantes para os estudantes da UFPB.

“Eu costumo dizer que não nasci pra ser cineasta porque os meus objetivos foram mais políticos que cinematográficos para realizar esse trabalho. A nossa luta foi muito maior que a reivindicação de uma estrutura melhor para morar, foi uma luta por respeito que buscou chamar a atenção da sociedade para a importância de continuar defendendo uma universidade pública e uma política de assistência estudantil que dê reais condições do estudante se manter na universidade. Graças aquela casa eu realizei sonhos. Graças a nossa luta muitos ainda podem continuar sonhando”, enfatizou Renata Escarião.

Eu marcharei na tua luta – Após a reforma, terminada em 2007, a residência ganhou o nome da líder camponesa Elizabete Teixeira, que lutou ao lado de João Pedro Teixeira na época da ditadura. O nome é um reconhecimento da luta desempenhada pelas moradoras da casa.

O titulo do documentário é uma frase de Elizabethe Teixeira dita ao marido no momento da sua morte: ” ‘Eu marcharei na tua luta’ sempre teve grande significado para todas as meninas que participaram da luta pela manutenção e melhoria da RUF I e que tomaram a casa como a causa pela qual marcharam e pela qual muitas outras continuarão marchando’, explicou Renata Escarião.

Comentário do Leitor