Pedro Cardoso da Costa
Publicado em 14/06/2009 às 19:50

Vítimas do Mundo

Em todo lugar, em qualquer classe social e em todas as atividades profissionais sempre existem pessoas que se manifestam e entendem que este Mundo foi criado por um propósito de Deus para prejudicá-las.
Na família, só participa de alguma coisa se não tiver que contribuir, pois sempre tem algo inadiável e mais importante a fazer naquele dia que impede a sua presença. Na última hora, ela é das primeiras a aparecer, com a cara mais cínica e com um sorriso elástico. Só um idiota poderia imaginar que seria dela a culpa de não estar no outro evento. Apenas ela merece ajuda; nunca pode ajudar em nada. Pagar o que deve, só depois que todos os seus devedores se acertarem com ela. É a mais exigente com seus deveredores; e rotula a quem ela deve como muito chato, incompreensível.
No trabalho, ela não sabe de nada, por que ninguém lhe falou. Ela não tem obrigação de buscar nenhuma informação, nenhum dado; os demais colegas estão lá para lhe assessorar. Nunca pode estar presente na reunião da escola onde o filho estuda, mas a culpa total pela formação do garoto, claro, é da escola. É essa a razão do filho estudar ali. Sempre gostaria de estar presente, mas… Numa administração, tudo que o outro fez não presta; mas tudo que ela faz, nunca na Históira outro fez tanto e tão bem feito.
Todas as bondades ou são invenções delas, ou foram adaptadas por elas. E apenas não são reconhecidas por má vontade de todos. São injustiçadas propositalmente.
Quando se tenta mostrar que cada um tem seus problemas, e não apenas elas, a reação é imediata para provar de que os delas são muito mais graves, sem comparação, e sem solução. Se a pessoa tentar exemplificar, logo é convencida de que os dissabores da outra são mesmo mais drásticos.
Eis o pior tipo de pessoa. Nunca participa; nunca pode ajudar, não tem solidariedade, nunca tem nada a oferecer, e sempre merece receber o quanto mais. Nunca aprova o que o outro faz, a não ser quando tira algum proveito. Se achar pouco, vai criticar de imediato. Aceita qualquer sugestão de mudança, só ressalva que não vai mudar nada.
Uma de suas maiores marcas é a expressão “se Deus quiser, um dia vou poder fazer algo por, ou ajudar, a, b ou c”. Eis as vítimas do Mundo, o maior número e o pior tipo de ser humano que existe. Coroa tudo com permanente demonstração de infelicidade, sobre a qual faz tudo para provar que não existe.

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Pedro Cardoso da Costa

Pedro Cardoso da Costa, tem 44 anos e nasceu em Nova Soure, BA. Em 1980, como a maioria dos nordestinos, mudou-se para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Depois de sucessivas tentativas e desistências, por não concordar com a metodologias do ensino, cursou Direito nas Faculdades Metropolitanas Unidas. Inventou curso particular de alfabetização de adultos. Mantém uma biblioteca comunitária em sua cidade natal. É funcionário, concursado, da Justiça Eleitoral há 22 anos, onde exerceu cargo de direção por algum tempo.É crítico contumaz da inércia da sociedade brasileira nas várias questões de cidadania, da morosidade vergonhosa das Justiças brasileiras.

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