Fábio de Barros Araújo
Publicado em 17/06/2009 às 7:43 - 257 exibições

A eleição para vereador foi decidida nas cartas

Calma, o sistema eleitoral brasileiro não chegou a tanto. Isso ocorreu nos Estados Unidos, e foi verdade.

O Estado do Arizona, no oeste americano, é considerado rico e moderno. Sua capital, Phoenix, é a quinta maior cidade do país e possui imponentes arranha-céus de aço e vidro dominando o cenário no centro, além de contar com um novíssimo e moderno sistema de metrô.

Mas vez ou outra, os ventos da herança do velho oeste ainda balançam as portas dos velhos saloons locais, lembrando que aqueles dias eternizados por John Wayne no cinema não fazem tanto tempo assim.
E esses ventos sopraram forte nesta última segunda-feira, 15 de junho, em Cave Creek, cidadezinha de 5 mil habitantes, nos arredores da capital.
Lá, nas eleições para vereador, houve um empate entre os candidatos Thomas McGuire e Adam Trenk. E a Justiça (lá não existe uma Justiça especificamente eleitoral, como no Brasil), através do eminente juiz local, decidiu a sorte, literalmente, dos candidatos, nas cartas do baralho.
Ambos os candidatos apareceram bem nervosos perante a corte vestindo calças jeans e camisas de colarinho. O Juiz, vestindo solenemente a toga, embaralhou as cartas seis vezes, retirando o coringa antes.

O Senhor McGuire, um professor aposentado de 64 anos, já com duas eleições nas costas, retirou um 5 de ouros, arrancando suspiros e exclamações de seu séqüito.
O Senhor Trenk, jovem estudante de direito de 25 anos e recém chegado à cidade, puxou um rei de ouros, para delírio da pequena platéia, que tudo assistia. E finalmente Cave Creek conheceu seu mais novo vereador.
“É uma maneira desgraçada de perder. Ou ganhar”, desabafou o perdedor, que confessou que a população tem orgulho de preservar seus costumes, mesmo que entre eles seja decidir o futuro de decisões importante através das cartas.

Já o Senhor Trenk, um “alienígena” vindo de Nova York, percebeu logo que as coisas seriam diferentes por aquelas bandas. Uma vez, logo quando chegou à cidade, ao adentrar num bar, notou que tinha um cavalo junto do seu dono, que ali tomava uns drinks tranquilamente.

Mas o método “pouco” democrático de desempate já é contestado pelos nativos. Porém, a desculpa oficial de não haver um segundo turno, por exemplo, demandaria um custo que a pequena cidade não poderia comportar, afirma categoricamente o prefeito Vicent Francia, que atuou como um mestre de cerimônia no carteado. “Além disso, dessa forma é bem mais divertida”, completou.

E ainda zombou: “estávamos pensando em escolher através de uma disputa de paint ball, mas aí exigiria habilidades específicas, que é ilegal”.
Mas eles não brincam quando o assunto afeta diretamente os bolsos. Numa votação sobre a instalação ou não de uma filial de uma Wall Mart, maior rede de hipermercados do mundo, a votação foi seis a um, a favor do novo empreendimento, e com ele, dezenas de empregos para os cidadãos do simpático município.

Tomara que esse costume não chegue por essas plagas. Costumamos importar e achar bacana vários hábitos yankees, mesmo que alguns sejam completamente abomináveis. Já pensou se numa hipotética disputa, Ricardo Coutinho disputasse com José Maranhão no truco? Ou Luiz Couto e Efraim Morais disputassem o mandato no dominó?

Lá nos Estados Unidos, o ex-governador Cássio Cunha Lima verá que, de fato, ainda não viu tudo em política.

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Fábio de Barros Araújo

é advogado, tem 34 anos, formado em Direito pelo Unipê, em João Pessoa-PB, em 1995, com especialização em Mediação, Negociação e Arbitragem, pelo Instituto Brasileiro de Mediação, em São Paulo. Assessor Jurídico da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de João Pessoa, também tem como área de interesse o direito internacional, ambiental, imigração e comércio exterior, fonte dos textos que abastecerão semanalmente a coluna no Paraíba News.

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( 1 ) » “A eleição para vereador foi decidida nas cartas”

  1. Jorge Rezende:

    Companheiro Fábio, saudações camaradas e parabéns pelo texto.
    Aqui esse negócio de carteado não ia dar muito certo, não. Principalmente com as presenças de tucanos e democratas, que gostam de umas “cartas-marcadas”…
    Abraços,
    Jorge Rezende

Comentário do Leitor