da Redação
Publicado em 21/06/2009 às 15:04
Irã ataca Ocidente e volta a intimidar imprensa
Teerã, 21 jun (EFE).- O Irã começou hoje a mirar sua pontaria para os paÃses ocidentais, enquanto prosseguem os protestos contra o Governo, especialmente em Teerã, onde cerca de 20 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas nos confrontos entre a PolÃcia e manifestantes.
De manhã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, cuja reeleição foi o estopim da revolta no paÃs, exigiu que Estados Unidos e Reino Unido parem de interferir nos assuntos internos do paÃs.
“Com estas opiniões prematuras, tirarei-os com toda certeza do cÃrculo de amigos do Irã. Portando, aconselho corrigirem esta postura intervencionista”, disse o chefe de Estado.
Segundo Ahmadinejad, acusado pela oposição de fraudar as eleições, EUA e Reino Unido não conhecem o povo iraniano e se equivocam ao julgarem “estes eventos que elevam ainda mais a importância da República Islâmica do Irã”.
Horas depois, o Governo ordenou a expulsão do correspondente permanente da “BBC” em Teerã, John Leyne, acusado de dar “informações falsas”, “não manter a objetividade”, “estimular os distúrbios” e desrespeitar o código de ética da profissão.
Leyne, assim como os outros repórteres estrangeiros que ainda estão em Teerã, desde terça-feira está proibido de sair às ruas para cobrir as manifestações da oposição, consideradas ilegais pelo regime.
O ataque verbal contra os paÃses estrangeiros foi iniciado pelo ministro de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, quem numa reunião com o corpo diplomático credenciado no paÃs acusou França, Alemanha e Reino Unido de aproveitarem as eleições presidenciais para tentar derrubar o regime.
“Os polÃticos de certos paÃses fizeram declarações intrusivas e irresponsáveis (…). Eles deveriam pensar duas vezes antes de questionar o processo democrático das últimas eleições”, afirmou.
Mottaki foi especialmente duro com a Chancelaria britânica, que, segundo disse, perturba a paz no Oriente médio para “proteger o Estado sionista (Israel)”.
Além disso, pediu à França que se desculpe pelas declarações do presidente Nicolas Sarkozy, que disse ter certeza de que são verdadeiras as denúncias de fraude nas eleições.
O presidente do Parlamento, Ali Larijani, foi além e disse que os legisladores do paÃs deveriam reconsiderar as relações diplomáticas com todos estes paÃses.
Segundo a rádio oficial, Larijani classificou como “vergonhosa” a postura adotada pelas três potências europeias e pelos Estados Unidos. Em resposta, sugeriu à Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento que “repense os laços com os três paÃses europeus”.
Há uma semana, o Irã é palco de protestos e confrontos diários entre a oposição e a PolÃcia, esta última apoiada por integrantes da milÃcia islâmica Basij.
A situação na capital Teerã se agravou ontem, depois que pelo menos 13 pessoas morreram vÃtimas da repressão policial contra mais uma manifestação convocada pela oposição em protesto contra o resultado do pleito do último dia 12.
Hoje, a TV estatal classificou como “terroristas” os que enfrentam a PolÃcia. Disse ainda que a PolÃcia deteve várias pessoas relacionadas ao grupo opositor armado Mujahedin Khalq.
Enquanto a militarização cresce nas ruas, o lÃder da oposição, Mir Hussein Moussavi, disse que é preciso “limpar as mentiras e as atitudes desonestas” que ameaçam destruir o sistema.
Num texto publicado em seu site, o ex-primeiro-ministro disse que as autoridades da República Islâmica devem permitir os protestos ou enfrentar as consequências.
As palavras de Moussavi representaram um claro desafio ao lÃder supremo da Revolução iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, que na sexta-feira negou as denúncias de fraude eleitoral e exigiu um fim nos protestos.
“Não nos opomos ao sistema islâmico e a suas leis, mas à s mentiras e à s ideias desviadas. Só buscamos uma reforma”, afirmou Moussavi.
“O povo espera de seus governantes honestidade e decência, porque muitos de nossos problemas se devem à s mentiras. A revolução islâmica deve ser o caminho”, acrescentou.
(do UOL NotÃcias)
