Jorge Rezende
Publicado em 26/06/2009 às 15:31 - 267 exibições

O mau político não desiste nunca

Em meio à crise moral e ética que vem abalando as estruturas do Poder Legislativo no país, com sucessivas denúncias de corrupção e atos não muito legítimos, contribuindo cada vez mais para a descrença da população em relação às ações político-administrativas, às agremiações partidárias e, principalmente, à figura dos próprios políticos, pode-se perceber que muita gente do bem – na política ou não – tem se movimentado para salvar a cambaleante condição de ser um político – ou pelo menos do que deveria ser e fazer um político.

Esta semana, a Paraíba – mais especificamente a cidade de João Pessoa – deu provas de que isso de fato está ocorrendo. E algo pode mudar ou pelo menos que existe um caminho a ser seguido. E o primeiro passo é o óbvio: a população tem que parar de reclamar e de colocar todos os políticos num mesmo saco de farinha estragada; a população, que tem o poder do voto, tem que olhar mais aguçadamente em meio a lama da política para pinçar os homens de bem que estão misturados aos corruptos, mal-intencionados, aventureiros e, por que não dizer, oportunistas e ladrões do dinheiro público.

E o alerta ao eleitor para um caminho de salvação, para a credibilidade do agente político, foi dado por um vereador da Câmara Municipal de João Pessoa – que aliás é um daqueles raros homens do bem que tramitam em meio à política paraibana. E esse vereador é Geraldo Amorim (PDT), que, em seu discurso da tribuna da Câmara, na penúltima sessão do semestre legislativo, disparou: “Nós temos bons políticos e que precisam ser apoiados pela população, antes que eles desistam. Pois os maus políticos não desistem nunca”.

É isso mesmo! Os maus políticos não desistem nunca. É só olhar o panorama da Paraíba e perceber que os mesmos envolvidos em confrarias, em compra de votos, em desvios de recursos do erário para a benesse de seus apadrinhados permanecem sempre querendo o poder. Para esses maus políticos, que não desistem nunca, não tem adiantado as algemas da Polícia Federal, a cassação de mandatos e nem a exposição de suas falcatruas nas páginas dos jornais. Estão por aí, inclusive de olho nas próximas eleições do ano que vem. Sem nenhuma vergonha na cara, pedem votos como se nada tivesse acontecido.

Em seu discurso na Câmara pessoense, Amorim lembrou que a crise instalada reforça a idéia de que o Poder Legislativo é mesmo o “saco-de-pancada” da população. Ele ressaltava que, acabando-se com as Câmaras, com as Assembléias Legislativas, com o Senado e com a Câmara Federal – como defendem alguns –, acaba-se a democracia. Ele não acha justo dizerem que as Câmaras Municipais não trabalham. O que falta é maior participação popular. “A sociedade tem que fiscalizar em quem vota”, bradou o parlamentar.

Para aqueles mais distraídos, incrédulos ou desiludidos, é bom enfatizar que há sim uma luz no fim do túnel. E pelo menos a discussão e o debate do tema política, do comportamento dos políticos e de suas nuances têm ganhado força e destaque na Câmara da Capital. E Amorim não é o primeiro a trazer o assunto à baila. Outro vereador extremamente experiente e com bagagem na luta de combate à compra de votos durante as eleições tem ocupado constantemente a tribuna da Casa para fazer os seus alertas. Só não ouve quem não quer.

Esse parlamentar é Tavinho Santos (PTB), que tem levado ao plenário da Câmara de João Pessoa debates como a necessidade da Paraíba discutir um projeto de desenvolvimento econômico, deixando de lado as picuinhas políticas e, principalmente, a adoção de um novo modelo de postura político-administrativa.

Recentemente, em um dos seus pronunciamentos, Tavinho destacou que o atual modelo político do país, baseado na democracia representativa, está esgotado, precisando passar por mudanças, via reformas político-partidária e eleitoral. Ele lembrava que 30% dos parlamentares no Congresso nacional, por exemplo, não representam a população, mas segmentos corporativistas e poderios econômicos.

Para Tavinho, a política brasileira já deveria ter migrado para o modelo participativo. “A cultura da população está enraizada na dependência, do coronelismo, que vemos aflorar a cada eleição”, lamentava, ressaltando que o modelo participativo também não garante que a população irá ter mais participação nas decisões políticas. E apontava: “A população tem que ter mais participação na execução das ações e não só em suas elaborações”.

O grande problema da democracia brasileira estaria na representatividade, quando o político é eleito e depois não dá a mínima importância ao eleitor. “A prática política está muito a desejar. Hoje, a representatividade é questionável. Precisamos, com urgência, de uma reforma política e eleitoral. O eleitor vota e três meses depois não sabe mais em quem votou e nem acompanha os trabalhos da Câmara de Vereadores, por exemplo”.

O assunto é longo e o tema voltará no próximo artigo. Enquanto isso, é bom ficar de olho na Câmara de Vereadores da Capital. A maioria ainda não percebeu, mas ela tem dado um bom exemplo e é onde o tema está sendo discutido constantemente. E sempre relembrar: não se pode desistir dos bons, pois os maus políticos não desistem nunca.

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Jorge Rezende

O jornalista Jorge Rezende, 42 anos, é natural da cidade de Três Corações, Minas Gerais, e atua na imprensa paraibana há 19 anos. Com passagem pelas principais empresas de comunicação do estado: jornais O Combate, Correio da Paraíba, O Norte, A União e Jornal da Paraíba; site de notícias Paraibaonline; e revista A Semana.

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jorgerezende.imprensa@ig.com.br

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  1. Ursula Melo:

    CONCORDO PLENAMENTE COM VC AMIGO! PARABÉNS PELO ARTIGO.

Comentário do Leitor