Pedro Cardoso da Costa
Publicado em 18/07/2009 às 8:52 - 94 exibições

Xeque mate em Sarney

Há alguns dias o senador José Sarney não sai dos noticiários. A cada dia uma nova denúncia surge contra o referido senador. O número de falcatruas dele e de seu clã cresceu tanto que os jornais foram obrigados a criar uma coluna, como fez o jornal O Estado de São Paulo no último dia 12 de julho. Para você que não leu o jornal, repriso a lista, similar à da revista Veja.

“Amaury de Jesus Machado. Funcionário de Roseana na casa dela em Brasília, é contratado como assessor de gabinete no Senado. João Fernando Sarney. Neto de Sarney, foi exonerado por ato secreto do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Vera Portela Macieira Borges. Sobrinha de Sarney, foi nomeada sigilosamente para trabalhar para o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Maria do Carmo Macieira. Sobrinha de Sarney, foi nomeada de forma secreta para o gabinete de Roseana. Isabella Murad Cabral Alves dos Santos. Sobrinha de Jorge Murad, genro de Sarney, foi nomeada por ato secreto para o cargo no gabinete da liderança do PTB. Virgínia Murad de Araújo. Parente de Murad, foi nomeada para trabalhar como assistente do gabinete da liderança do governo. Shirley Duarte de Araújo. Cunhada de Sarney, foi lotada durante seis anos no gabinete de Roseana. Ivan Celso Furtado Sarney. Irmão de Sarney, ocupou de um cargo de confiança na segunda secretaria no Senado. Fernando Nelmásio Belfort. Funcionário da fundação José Sarney, foi nomeado para o gabinete da liderança do governo em 2007 e exonerado em abril deste ano. Nonato Quintiliano Pereira Filho. Funcionário da Fundação José Sarney, foi nomeado secretário parlamentar em 1995 e trabalha no gabinete do senador Lobão Filho (PMDB-AM), aliado de Sarney”. Segundo o senador, tudo complô da imprensa contra ele e, acompanhou a regra de dizer que não sabia de nada.

Como sobrou pouco espaço, cabe ressaltar que em nenhum país civilizado uma rede tão grave de desmandos não chegaria a este tamanho. Mas se justifica em função do envolvimento de muitos senadores, de quase todos os partidos.

Como sempre, Sarney conseguiu mais do que se manter. Obteve o apoio explícito do presidente Lula que, definitivamente, ao invés de exigir a punição, corou como marca de seu governo a defesa da impunidade.

A sociedade, entretanto, deve aumentar sua mobilização para forçar o afastamento imediato do maior símbolo da podridão da política nacional; sem piedade, sem condescendência. Essa forma velhaca de fazer política tem que acabar de vez no Brasil. As mudanças vêm ocorrendo, apesar da resistência. Como Renan Calheiros, Sarney só continua presidente da Casa porque uma sujeira a mais numa fossa não faz a menor diferença. A sociedade produziu esse Sarney, por isso tem a obrigação de dar um xeque mate nesse símbolo do arcaísmo político. Que exemplo de representante! Na próxima, escreverei sobre o ganho que o Brasil teria com a extinção do Senado. Essa Casa gasta demais, emprega sem necessidade para produzir apenas falcatruas.

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Pedro Cardoso da Costa

Pedro Cardoso da Costa, tem 44 anos e nasceu em Nova Soure, BA. Em 1980, como a maioria dos nordestinos, mudou-se para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Depois de sucessivas tentativas e desistências, por não concordar com a metodologias do ensino, cursou Direito nas Faculdades Metropolitanas Unidas. Inventou curso particular de alfabetização de adultos. Mantém uma biblioteca comunitária em sua cidade natal. É funcionário, concursado, da Justiça Eleitoral há 22 anos, onde exerceu cargo de direção por algum tempo.É crítico contumaz da inércia da sociedade brasileira nas várias questões de cidadania, da morosidade vergonhosa das Justiças brasileiras.

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