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Publicado em 25/07/2008 às 7:23 -
A falta que a lei nos faz
Estamos tão acostumados com o descumprimento das leis e a conseqüente impunidade, que facilmente acreditamos nas mentiras de nossas autoridades, quando dizem que esses problemas são mundiais. Não são. O pior é que, acreditando nisso e cegos por essa cultura pouco civilizada, temos a mania de achar que brasileiros, quando pegos pela lei no exterior, são pobres injustiçados. Claro que não me refiro ao Jean Charles, morto pela polícia londrina numa desastrada operação no metrô de Londres. Operações assim desastradas têm sido diárias, por parte da polícia militar no Brasil. Lá, foi esse o único caso. E abalou o Brasil mais do que as crianças mortas diariamente por tiros da polícia militar no Brasil. Estranho.
Agora mesmo os jornais abrem manchetes para contar como outra brasileira foi injustiçada e perseguida num aeroporto de entrada em país estrangeiro: a filha do embaixador do Brasil em Israel. A moça mora em Londres, onde estuda medicina, e ia aproveitar a presença do pai em Israel para fazer lá um curso de sua área. A vinda de Londres, com passaporte brasileiro, para estar com o pai em Israel e fazer o curso, mais o fato de se chamar Leila, fez com que a rigorosa polícia de Israel a retivesse por mais um pouco. Leila é um nome típico árabe. Lembro de Leila Khaled, a seqüestradora de aviões, hoje com 63 anos. Pois o pai embaixador, justificadamente impaciente, resolveu irromper pelas instalações da polícia no aeroporto e, nervoso, tomou o passaporte da mesa do agente, exigindo satisfações pela demora na liberação da moça. Poderia, como diplomata, agir diplomaticamente, identificar-se e explicar que sua filha estava lá dentro e certamente teria as satisfações. Mas entrou com a força das “otoridades” aqui no Brasil, na base do “você sabe com quem está falando?”, como se em país sério isso significasse alguma coisa. Esqueceu-se de que aqui no Brasil é apenas um princípio constitucional o de que “todos são iguais perante a lei”, mas em países civilizados, isso é para valer. Pegou mal, ficou feio. E ele se apresentou como um autêntico representante dos modos brasileiros.
No mesmo dia, em Madri, uma moça brasileira, com visto de turista, tentou entrar na Espanha, explicando que não tinha reserva de hotel porque iria ficar com o namorado espanhol. Ora, há milhares de brasileiras nesse caso, ilegais na Espanha. Morando com o namorado espanhol, trabalhando lá, em geral como garçonete ou camareira, e sem visto de permanência. Como não tinha esse visto, a moça teve que voltar. Voltou chorando diante de câmeras que alguém chamou e virou notícia na TV, como se a Espanha não tivesse o direito de aplicar suas leis na cidadã do país em que só obedece a lei quem quer e não por imposição da autoridade ou por cultura. De 600 brasileiros que entram na Espanha por dia, três vêm sendo mandados de volta. E nós, jornalistas, apresentamos isso ao público como um preconceito, uma perseguição…
Volta e meia um brasileiro é condenado à morte ou prisão perpétua nos Estados Unidos, por assassinato. Em geral, está ilegal no país. Aí, nós, jornalistas, nos mobilizados para defender o pobre assassino. Afinal, ele é um brasileiro que teve a má sorte de matar nos Estados Unidos. Se estivesse aqui, teria mais de 90% de chance de ficar em liberdade.
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Alexandre Garcia
O jornalista Alexandre Garcia começou no rádio aos sete anos, fazendo papéis infantis em radionovelas. É formado em primeiro lugar nos três anos do curso técnico de Contabilidade e no vestibular em todo o curso, na PUC/RS, onde depois lecionou. Foi correspondente no exterior pelo Jornal do Brasil e depois subsecretário de imprensa da Presidência da República por 18 meses. Foi diretor da TV Manchete e diretor de jornalismo da TV Globo em Brasília. É repórter especial, comentarista e apresentador no Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Globo Repórter e tem programa semanal na Globonews. Apresenta e coordena o noticiário do meio-dia da TV Globo Brasília. Escreve para duas revistas mensais e mantém coluna semanal em 15 jornais. Tem comentários diários em 170 emissoras de rádio. Faz palestras pelo Brasil. Cobriu três guerras(Angola, Líbano e Malvinas) e recebeu da Rainha Elisabeth II a Ordem do Império Britânico. Foi enviado especial no Peru, Paraguai, Colômbia e Chile. E correspondente especial na Argentina e Uruguai. Agraciado com 15 condecorações nacionais. Recebeu o Prêmio Volvo de Segurança de Trânsito. Escolhido, pelo voto secreto dos estudantes de Brasília, como Personalidade do Ano de 1996. Em 1997, o Poder Legislativo outorgou-lhe o título de Cidadão de Brasília. Autor de João Presidente e Nos Bastidores da Notícia, que vendeu mais de 60 mil exemplares e está na 11ª edição.http://www.paraibanews.com/author/alex
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