Célia Leal » Colunistas
Publicado em 23/01/2008 às 11:46 -

A loca sonora de Zabé brotou o CD “Bom Todo”

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A pifeira mais famosa da Paraíba comemorou os 84 anos lançando o CD “Bom Todo”, pela Criola Records. Ela festejou a chegada deste `filho` fazendo o que mais gosta na vida: tocar. Com Zabé, que nasceu Izabel Marques da Silva, filhos e parentes que compõem a banda, desfilaram neste dia de festa, um repertório que passa pelo folclore brasileiro e inclui coco-de-roda, mazurca, violeiros, trios de forró pé-de-serra e, claro, a banda de pífanos e a rabeca.

O novo trabalho desta celebridade do cariri paraibano exprime exatamente a qualidade que ela resume no título batizado de “Bom Todo”. Com patrocínio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Petrobrás e Ministério da Cultura, Zabé da Loca conta também com as participações especialíssimas de Maciel Salu, o filho de Mestre Salustiano, do cantor e compositor Escurinho e de Carlos Malta. Se a música é o alimento da alma para muita gente, para Zabé é seu porto seguro. Não é de se estranhar que seu primeiro contato com este instrumento musical começou ainda criança quando tinha sete anos.

O tempo foi passando e Zabé foi se identificando cada vez mais com o pífano. Até hoje, aos 84 anos, ela faz ecoar do seu pífano acordes de várias canções, maioria de domínio público, em plena loca, no alto da serra, local escolhido por ela para viver. Descoberta a cerca de sete anos atrás, Zabé, sua vida e sua arte são assuntos de revistas importantes no cenário nacional, como a Carta Capital e a Vida Simples. O lançamento de CD na Série Cantos do Semi-Árido, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) fez Zabé ganhar notoriedade seguindo, com seu jeito simples de ser, sempre com muita alegria e disposição.

Zabé da Loca, como se apresenta para o mundo, já é considerada “patrimônio vivo da cultura popular e maestrina de um som que desafia o tempo”. Ela e a pedra situada no sítio Tungão, assentamento Santa Catarina, distante 19 km da cidade de Monteiro, que fica a 319 km da capital paraibana, tem uma relação que transcende qualquer capacidade de entendimento daqueles que não vivenciam aquela dura realidade. Com o primeiro CD “A Idade da Pedra”, felizmente Zabé deixa o anonimato para revelar seus dotes artísticos para o Brasil.

Mulher de fibra - A história desta grande mulher, guerreira pela capacidade de lidar com as adversidades que a vida lhe pôs à prova, não se resume apenas à dedicação a um instrumento musical. É uma relação de amor que começou em 1930. De lá pra cá, o apego ao pífano virou mais adiante o instrumento gerador de renda de sua família com as tocadas em feiras e quermesses.

Pernambucana de nascença e paraibana por adoção, Zabé, criou a família em meio ao árido cariri paraibano depois que teve sua casa desabada. Abrigou-se na pedra onde viveu por muitos anos e criou os dois filhos. Foi lá que ela decidiu se fixar com a aposentadoria deixada pelo marido Delmiro Marcolino que chegou à Paraíba atraído por uma gleba do INCRA. Cabe a nós, fã de Zabé, vibrar e torcer para que ela tenha vida longa sempre acompanhada do seu pífano.

Foto: Divulgação

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Célia Leal

Célia Leal - Jornalista e Relações Publicas, graduada pela UFPB. Como repórter durante 15 anos, foi premiada algumas vezes. Já tendo atuado com destaque nos jornais A União, Correio da Paraíba e O Norte, além ter assessorado vários sindicatos, políticos e ONG,s. Também foi produtora e editora da Revista Mosaico, redatora do Portal Correio e do telejornal Cidade Revista.

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