Célia Leal » Colunistas
Publicado em 28/01/2008 às 22:38 -
A nordestinidade do cantor Rosildo Oliveira em Portugal
Artista lança INTERIOR, oitavo CD de sua carreira
O cantor e compositor Rosildo Oliveira, pernambucano de Goiana e paraibano por adoção, vive hoje em Portugal e lança este mês o oitavo CD de sua carreira e o primeiro, inteiramente concebido em terras lusitanas. Interior reúne interpretação de Rosildo para canções de Djavan, Zé Ramalho, Roberto Carlos, Nando Cordel, Dominguinhos e outras composições. Ele fala na entrevista exclusiva que segue, sobre música, trabalho, parcerias e o que é viver em Almeirim, cidade portuguesa, onde reside com a família e tem muitos amigos. Rosildo Oliveira continua buscando abrir espaços nos palcos da Europa para mostrar a nordestinidade de seu trabalho. Por todos esses oito anos ininterruptos ele dirige um programa de muita audiência na Radio Bonfim chamado Manhã Tropical.
1. Rosildo Oliveira, o que você traz no novo trabalho intitulado de INTERIOR?
R.O = Trago o que nunca havia ousado fazer.Empresto minha interpretação a autores da MPB como Djavan, Zé Ramalho, Roberto Carlos, Nando Cordel e Dominguinhos. Além de utilizar uma interpretação própria, uso a guitarra portuguesa, com seu timbre único, para fazer a diferença. Ela é tocada por Custódio Castelo, um dos maiores executantes desse instrumento aqui em Portugal e que também assina a produção do CD Interior.
2. Porque Interior?
R.O =Batizei de Interior, por vários motivos. Primeiro, por que sou filho do interior de Pernambuco – Goiana- e tirei do interior de minha alma as canções que interpreto. Os grandes músicos que deste trabalho participam são todos do interior de um país e de minha alma também. O Custódio Castelo é do interior de Portugal; Maninho de Goyanna é também do interior de Pernambuco, hoje reside em Açores e faz um violão muito especial e que ao meu ouvido soa como nenhum outro; e meu parceiro de 30 anos, Paulo dos Anjos, que também é de Goiana-PE e reside em Portugal a mais de 16 anos. Conto também com o precioso trabalho da atriz portuguesa Goreti Meca, dona de uma sensibilidade digna do interior.
3. Além do seu repertório, que musica brasileira você toca nos palcos da noite portuguesa?
R.O = Não vou dizer que a noite aqui é rica em MPB, que é mentira. Vou tocando boas músicas na noite, mas, não posso fugir das canções tipo, antigos sucessos populares como: Luz e Paixão ou mesmo o Velho Calhambeque, de Roberto Carlos. Mas isso não impede de tocar Djavan, Caetano Veloso, Adeildo Vieira, Marcos Fonseca, meu repertório e tantos outros da MPB e MPB-Pb.
4. Já tem parcerias com musicos portugueses? Quem você destaca?
R.O - Não posso negar que morar fora do eixo cultural (Lisboa-Porto-Coimbra) não dificulte o acesso aos grandes nomes da musica portuguesa, mas é aí que entra a Rádio Bonfim e nosso Manhã Tropical, que serve para unir o útil ao agradável, que é traçar conhecimentos com as feras da MPP-Musica Popular Portguesa. Quanto à parceria, tenho duas de grande importância: destaco Custódio Castelo, grande musico executante da guitarra portuguesa e a Margarida Guerreiro, que no seu mais recente disco de fado me fez o convite para cantar com ela à faixa De volta pro meu aconchego, do meu amigo Nando Cordel.
5.No seu repertório atual inclui fado?
R.O – Não. Costumo dizer que “cada macaco no seu galho” e acredito que o fado não é só um estilo musical mas, um estado de vida.Estado esse que só o povo lusitano o sente.
6.Voce encontrou alguma dificuldade no cenário musical Português para se colocar enquanto músico estrangeiro? Que tipo de dificuldade?
R.O – Claro, o que é bem normal. Como bem disseste, sou um estrangeiro. Tudo que é estranho custa conseguir deixar de ser.
7. Considerando a linha musical com a qual trabalha, de carater regional, qual a capacidade desta musica junto aos músicos portugueses que trabalham na mesma linha, de interferirem na cultura musical do País?
R.O – É sempre o diferente e os músicos portugueses como os do mundo inteiro, respeitam nossa música pela riqueza de harmonia e a miscigenação rítmica que nossa música leva ao universo cultural. Tento usar todas influências de minha infância no interior de Pernambuco, onde o Maracatú se juntava com a Ciranda, Cabocolinhos e outras preciosidades e, assim, levam um pouco de minha gente na minha música.
8. Quantos discos voce têm e quantos já lançou em Portugal?
R.O= Tenho oito discos. O ALpha (compacto-duplo) 1982, Rosildo Oliveira (compacto duplo) 1984, Meu Chão (LP) 1988, Coisas do Nordeste (LP-CD-Cassete)(BR) 1995 e Rosildo Oliveira a Caminho d’álem-mar (2000).Em Portugal lancei dois: Coisas do Nordeste (1997) e Pássaro Fugitivo (2003) e agora será a vez do primeiro CD todo concebido aqui que batizo de INTERIOR.
9.O que o público Português está absorvendo do nordestino Rosildo Oliveira?
R.O - O que tenho demonstrado desde 1996 quando cá vim pela primeira vez: a nordestinidade da minha musica. Ela trás o Nordeste através de minha interpretação e forma de compor. Mesmo quando interpreto um compositor de fama, marco pela maneira própria de assim o cantar.
10.Qual a receptividade do seu trabalho em Portugal?
R.O – Tenho tido uma boa recepção, apesar do desconhecimento de nossa música, digo: a boa musica do nordeste brasileiro. Não é fácil mostrar ao público português o que eles não conhecem, mas é essa nossa missão.
11. Além de compor, do que você tem vivido em Portugal?
R.O - Vivo aqui da musica que faço com meu parceiro violão nas noites da Pizzaria Di Napoli, em Torres Novas, onde há mais de dois anos acompanho os jantares dessa malta que superlota todos os sábados neste gostoso lugar dirigido por um Português (Paulo Marques) e uma Baiana (Adélia Marques). Faço espectáculos nos festejos das localidades, que são muitas, junto com minha banda, formada, na grande maioria, por brasileiros e regida por Paulo dos Anjos.
12. É verdade que você tem um programa de rádio em Portugal que tem grande audiência?
R.O. = Sim.Durante as manhãs, de segunda a sexta-feira faço animação num programa de rádio que chamo de Manhã Tropical. Já são seis anos completados no ultimo dia 21 de Janeiro. São 4 horas (8 às 12 horas), diárias de música e entrevistas e, segundo dizem, somos líder de audiência na região. Temos ouvintes em vários países da Europa, Brasil e Africa. Também através da Internet, no endereço www.radiobonfim.com , o público sintoniza nosso programa e assim tomo conhecimento, por telefone, que batizei do “telefone da amizade”, do índice de audiência. O telefone não pára de tocar. Recebemos ligações de várias parte do mundo. Está havendo boa aceitação. Assim ganho a vida em Portugal.
13. E os palcos da Europa são acessíveis para seu estilo musical?
R.O = Vez outra viajo a países da Europa para mostrar o que acredito saber fazer: expressar minha nordestinidade. Já mostrei ao público da Inglaterra e breve será a vez da Alemanha, França, Holanda e Suíça.
14.Há quanto tempo está em Portugal? Que cidade?
R.O- Vim pela primeira vez a Portugal em 1996. Em 1998 regressei para convencer a família a vim morar cá comigo, fato que só aconteceu em 2001. Sempre morando no Ribatejo, uma região agrícola de Portugal, precisamente na cidade de Almeirim e porque? Foi Paulo dos Anjos, o primeiro parceiro a descobrir essa terra e assim se fez à história.
15.Quando volta à Paraíba?
R.O - Quando meu irmão LAU SIQUEIRA quiser, há, há,… sabes, é difícil nesse momento de construção de uma carreira na Europa, sair. É que não é tão fácil como parece. A luta é de fração de segundos a fracção de segundos. Não posso me dar o luxo de tirar férias, senão serei engolido pelo rolo opressor. Além do mais a grana é curta para passeio, apesar das saudades de amigos, da musica, da comida e do ar único do nosso Nordeste. Sem contar que minha mãe, Dona Marly, mora aí em Jampa e meu filho musico,o Luciano Oliveira, que tanto orgulho me dá, também. É o meu menino das percussões. Tenho aí também verdadeiros irmãos de profissão e vida: Marcos Fonseca (Cuscuz), Dom Mosca, o mimoso Glauco Andreza, Pedro Osmar, Luís Carlos Otávio e o grupo Voz Ativa, Déa, Paulo Ró, Fátima Silva, Pádua Belmont, Helinho, Genildo (Pé de Bombo), Sérgio Galo, Marcelo Macedo, Milton Dornellas, Ari do Roger, Paulinho Rabelo, Adeildo Vieira, Bebé de Natércia, Zé Guilherme e uma infinidade de grandes seres.
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Célia Leal
Célia Leal - Jornalista e Relações Publicas, graduada pela UFPB. Como repórter durante 15 anos, foi premiada algumas vezes. Já tendo atuado com destaque nos jornais A União, Correio da Paraíba e O Norte, além ter assessorado vários sindicatos, políticos e ONG,s. Também foi produtora e editora da Revista Mosaico, redatora do Portal Correio e do telejornal Cidade Revista.http://paraibanews.com/author/celia
jornalista.celialeal@hotmail.com
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29/01/08 às 9:28
QUERIDA CELIA,
A ÚNICA FORMA QUE FAZ CRESCER O SER HUMANO, É VALORIZANDO-O, DE FORMA VERDADEIRA E HISTÓRICA.
O GRANDE HOMEM ARTISTA, ROSILDO OLIVEIRA É UM MESTRE GUERREIRO E UM DIVULGADOR CULTURAL DO NORDESTE BRASILEIRO, ONDE CHEGOU EM ALMERIM POR MÉRITO, RESPEITO E LOGÍCO A IRMANDADE DO AMIGO PAULO DOS ANJOS. ALÍAS ELES FAZEM SUCESSO MESMO EM PORTUGAL. DIGO COM CONVICÇÃO.
O PREFEITO RICARDO COUTINHO ATÉ QUE DEVERIA SE INTERESSAR PARA PRESENTEA-LO COM O TÍTULO DE CIDADÃO PESSOAENSE, POR DIVULVAR TÃO BEM E COM UMA IMPORTANCIA ÚNICA, QUE É O AMOR QUE SENTE PELO NOSSO POVO, E POR NÃO DIZER PELA NOSSA QUERIDA JOÃO PESSOA, QUE TÃO BEM ACOLHEU, QUANDO RESIDIA. REPRESENTANTE MAIOR DOS ARTISTAS O NOSSO AMIGO RICARDO
COUTINHO, BEM, COMO O CACIQUE LAU SIQUEIRA, PODERIA SE MANIFESTA PARA ABRAÇAR ESSA CAUSA INTELIGÊNTE.
CELIA, PARABENS PELA COLUNA E MATÉRIA, POIS É DESSA FORMA QUE TODOS CRESCEM.
UM ABRÇAO FRATERNO,
TITO LOBO
29/01/08 às 12:57
Cara Célia,
O meu nome é Nilza Sousa, mas apesar do nome de origem brasileira, sou bem portuguesa. Vivo igualmente em Almeirim (Portugal), onde partilho a mesma cidade, a admiração e amizade com Rosildo Oliveira, meu “irmão” desde 1996.
Sou um testemunho da carreira, capacidade, perseverança, coragem e muito talento deste meu amigo, Rosildo. É lindo quando ele solta a sua voz, tornando-se numa magia de timbre doce e quente que nos presenteia a audição.
A este novo trabalho do Rosildo desejo as maiores felicidades e sorte como só ele sabe que são os meus votos sinceros.
À Célia, deixo os meus parabéns pela entrevista e pela escolha deste nosso amigo e talentoso, Rosildo.
Um beijinho,
Nilza
29/01/08 às 2:57
Querida Célia,
chamo-me Goreti Meca e é com muito orgulho que leio esta entrevista.
Rosildo é um grande artista, portador de uma voz única maravilhosa e acima de tudo é meu amigo.
É com muito orgulho e vontade de aprender que me junto a ele para neste Portugal adormecido, fazer cultura.
Espero que Rosildo consiga com Interior mostrar ao público que ainda não o conhece, todo o seu talento.
Eu, estarei sempre com ele.
Beijinho
Goreti
30/01/08 às 8:14
Cara Célia: parabéns pela entrevista com nosso quetido Rosildo. Fico feliz em saber que ele está com cd novo e que não deixou de referendar nossos artistas entre grande nomes da música nacional, quando faz suas apresentações para os portugueses. Beijo grande.
30/01/08 às 10:55
Boa Tarde(Bom dia aí em joão pessoa), antes de mais queria lhe dar os parabéns pela grande entrevista ao GRANDE COMPOSITOR/INTÉRPRETE/MÚSICO/HOMEM/AMIGO/PAI… pois como ja devem ter reparado pelo nome, Rosildo Oliveira é o meu pai, ou melhor, painho(como bom nordestino).
Rosildo Oliveira ainda não teve o sucesso, reconhecimento merecido a nível Nacional/Internacional como ele bem merece, não por falta de esforço ou qualidade como quem conhece o seu trabalho bem sabe, mas por falta de uma palavra que é preciso em todas as profissões chamada “sorte”; mas eu nao só como filho mas também como grande fã acredito que este dia vai chegar…
Rosildo Oliveira como bom filho da terra em tudo que faz faz questão de mencionar o nome da sua tão amada Goiana, cidade no interior de Pernambuco, mas não só eu acho que ele é um Paraibano que nasceu em Pernambuco!
Para o meu pai so gostava de dizer uma coisa: se eu chegar a ser 30% do que o senhor é, eu já me sinto realizado. Tenho um grande orgulho em Ti Painho.
Agora vou acabar este comentário com uma frase do meu próprio pai, que ele usa para se caracterizar: ” Eu canto porque o cantar está em mim…”
01/02/08 às 7:20
Oi a todo mundo, eu sou Carlos Vaz um portugues que conhece o Rosildo faz pouco tempo, mas nâo venho aqui pra falar do trabalho dele pois isso ninguem pôe em causa pois esse é maravilhoso… o que eu quero falar é sobre o homem Rosildo um ser maravilhos, uma simpatia sem limites, e principalmente um AMIGO verdadeiro, por tudo isso para vc amigo, um abraço e muita sorte em tudo o que fizer.
Carlos Vaz
01/02/08 às 1:29
parabens!
01/02/08 às 1:30
Parabéns para o cantor Rosildo e para voce Celia pela cobertura da matéria. sucesso!Carlindo
02/02/08 às 12:48
Excelente entrevisa Célia. Conheço Rosildo há muito tempo. Quando ele iniciava na música em João Pessoa, nos encontramos em um dos festivas de música do Sesc e ele me pediu para acompanhá-lo com o violão em uma música que seria apresentada no outro dia. Fomos para a casa onde ele morava no Roger e ensaiamos, tudo de repente, apenas um dia,não ganhamos o festival,mas a música foi uma das melhores classifadas. Acredito que ele esqueceu o meu nome quando mencionou vários músicos da Paraíba, pois convivemos um tempo tocando juntos onde fiz parte de uma banda que o acompanhou na Paraíba e Pernambuco, tocando músicas suas e de outros compositores, Gosto dele como amigo e como músico e espero um dia poder mais uma vez, participar de um show ou de trabalhos dele.
Ítalo Oriente, violonista, guitarrista e compositor
02/02/08 às 4:28
Célia:
Parabéns! Para nós que moramos aqui no Sul do Brasil,reportagens como a sua são surpresas. Sabemos muito pouco do Nordeste e seus filhos!
Que bom que o Teles nos uniu!
Grande abraço,
Urda.
07/02/08 às 6:23
Rosildo… Simplesmente uma pessoa espectacular. Acho que a Célia escolheu muito bem o entrevistado ;)
Muito sucesso
Beijinho
08/02/08 às 2:05
Oi Célia,é com muito prazer que deixo meu comentário sobre o Negão, homem de palavras e canções, que já nasceu imortal.
abençoado seja.
saúde e paz!
do amigo Maninho.(Açores)
22/02/08 às 3:47
Minha querida Célia
É muito importante o q vc está fazendo pela cultura local, vc sempre fez a diferença, olhe vou querer ser entrevistado por vc neste portal hem. hahahahahahahá, adorei a entrevista de rosildo, se vc puder me passe o contato dele.
Grande abraço, e muita força.
fred svendsen
19/03/08 às 3:41
Quero também deixar o meu recado sobre o parceiro e irmão de estrada Rosildo Oliveira. São muitos palcos, sonhos e canções compartilhados juntos. E eu sou testemunha ocular da luta e batalha desse guerreiro talentoso e acima de tudo teimoso, como todo bom nordestino. Está mais do que na hora de seu trabalho ser reconhecido pelo grande público, visto que, no coração daqueles que o conhecem e acompanham, ele já está há muito tempo. Parabéns pela reportagem e entrevista.
Grande abraço:
Paulo dos Anjos (Portugal)