Carlos Priess
Publicado em 26/12/2008 às 11:17 - 98 exibições

Arquivos da ditadura - A espionagem em Santa Catarina!

Escreveu Carlos Fernando Priess (*)Para os grupos que comandaram a conspiração, que culminou na deposição do Presidente Goulart e tomada do poder, na verdade, no dia 1º de Abril de 1 964, o alvo era prender todos os idealistas tidos como comunistas. Para tanto, contavam com a “deduragem” covarde de elementos da sociedade que também foram cadastrados nominalmente pelas autoridades militares. Nos processos, e hoje, reconhecemos todos aqueles que instigavam as prisões.

Apesar de serem usados pelos militares, foram fichados como repugnantes traidores “inconfiáveis”. Itajaí teve, entre outros, dois famosos “dedos duros” da alta sociedade, um deles ainda vivo. É professor na Univali. O tempo e a história são implacáveis e Deus sempre traz a esses sub-homens o merecido e sofrido fim.

Mas o espião HORST KRISCHNEGG infiltrado pelos conspiradores, foi super eficiente, pois enganou flagrantemente todos os comunistas e socialistas de Blumenau, com quem viajava e participava com os principais líderes para todas as reuniões em Florianópolis. Os passos dos comunistas eram minuciosa, ampla e detalhadamente relatados ao DOPS de Porto Alegre, onde se concentravam as atividades de espionagem e conspiração que se armava contra o Presidente João Goulart.

O referido espião, em depoimento prestado ao então Capitão Horácio Santos Rebello, encarregado do inquérito policial militar, forneceu os nomes de todos os chamados dirigentes e militantes comunistas de Santa Catarina, entregando especialmente, de bandeja, os militantes de esquerda de Blumenau.

Foi um agente perfeito e acreditado, pelos militares que tomaram o poder, como um verdadeiro 007 da espionagem, agindo com inteligência e frieza, pois subtraia no escritório do advogado Francisco José Pereira, os documentos que achasse importante. Fotocopiava ou apoderava-se dos originais e que eram enviados a Porto Alegre.

Hoje visualizamos esses documentos nos arquivos da ditadura, que foram conseguidos no Arquivo Histórico da Unicamp, agora também na biblioteca da Ordem dos Advogados em Florianópolis.

No relatório final, como peça principal acusatória, firmada em 28 de maio de 1 964, o Capitão Horácio Rebello, como inquisidor militar, pedia o enquadramento e condenação de todos os indiciados, onde disse textualmente: “…Como prova de valor inestimável e que não podem ser refutados pelos indiciados, temos os relatórios e o depoimento do Sr. Horst Krischneg, Agente R-11 da DOPS de Porto Alegre, que conseguiu se introduzir no “Comitê Municipal de Blumenau”, e, durante quase dois anos, testemunhou todas as atividades dos comunistas militantes.”

Como Secretário de Propaganda do PC de Blumenau, o espião era por ironia, alimentado financeiramente pelos comunistas e socialistas e pago regiamente pelos cofres públicos como Agente. Temos, inclusive, documentos onde ele reclamava ao seu superior em Porto Alegre o pagamento de verbas não repassadas. Implantado o regime militar, referido espião abandonado pelo governo gaúcho e pela Ditadura, foi morar em Nova Iguaçu. Passou a ser vigiado pelo Governo Militar que ele ajudou se infiltrou no DOPS do Estado da Guanabara, onde serviu Carlos Lacerda, até que o mesmo fosse cassado, quando então caiu em desgraça total.

Veio para Itajaí, onde morreu como alcoólatra, abandonado pela mulher, filhos e até pelos irmãos, “curtindo” até seus últimos dias o peso de seu repugnante trabalho, que levou à prisão tantos idealistas. Na falta de familiares, para cuidar de seu sepultamento, conseguiu ir para a sepultura graças à caridade de dois honrados itajaienses, Jucílio Fernandes e Rudolpho Below,

Os comunistas de então foram, em verdade, sonhadores e românticos, que traídos em sua boa fé e ingenuidade. Muitos deles, felizmente, ainda vivos, vitoriosos até, podem testemunhar agora que a chamada “revolução” de primeiro de abril foi um engodo e uma mordaça para a nossa juventude.

A Ditadura além da prática de torturas morais e físicas, inclusive com fuzilamentos com pólvora seca e mortes, não deu conta do recado, tendo sido obrigada, por pressão do povo, abrir caminho para a Democracia. O fracasso foi evidente e flagrante, cuja herança ainda “curtimos” nos dias de hoje.

(*) Advogado - Foi preso político durante a ditadura militar.

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Carlos Priess

CARLOS FERNANDO PRIESS é advogado e economista, tendo sido Diretor da Bradesco Seguros, onde trabalhou durante 30 anos. Tem especialização em Português Visão Discursiva, Docência do Ensino Superior, Reengenharia e Recursos Humanos, Mestrando em Direito Portuário, pela Univali de Itajaí, já com 74 anos de idade, em fase e elaboração da sua Dissertação. A margem de suas atividades profissionais, sempre colaborou com jornais de Santa Catarina. Atualmente é Diretor de Indústria e Comércio na Prefeitura de Itajaí.

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  1. Gisela:

    Com todo o meu respeito ao sofrimento alheio…
    entao pergunto;O Sr.Carlos Priess e da opiniao de que os regimes Socialista e Comunistas teriam levado o Brazil a utopia?

Comentário do Leitor