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Publicado em 25/08/2008 às 12:05 -
Artistas paraibanos viram padrinhos de novos talentos
A iniciativa tem revelado novos compositores na região do Vale do Gramame
Sábado, dia 16 de agosto de 2008. Uma data como outra qualquer, não fosse o que pude testemunhar num lugar chamado Escola Viva Olho do Tempo – EVOT- para simplificar esta tão estranha sigla. Lá perfilavam-se, num palco montado, vários jovens, senhores e senhoras, orgulhosos e ansiosos por apresentar suas composições aos presentes. Sim, são novos compositores de xote, balada, musica sertaneja, samba-maracatu, baião, marcha, quadrilha e, acreditem, até rock. Duvidam??
Esses recentíssimos compositores, todos residentes nesta zona rural/urbana que concentra as comunidades de Mituaçú, Engenho Velho e Colinas do Sul, fazem parte do chamado Vale do Gramame e é lá que a cena musical pessoense está acontecendo. A terceira versão do Encontro Cultural do Vale do Gramame, é um exercício artístico e de cidadania. Os organizadores da EVOT estão desenvolvendo, através da arte, especialmente da música, um trabalho de resgate da auto-estima de muitos adultos, jovens, meninos e meninas, em sua maioria, que se mostraram capazes de criar.
A voz, de certo, ainda vai amadurecer mas as composições revelam um comprometimento com a qualidade de vida, como um todo. Como a cantora Gláucia Lima bem falou, este exercício está contribuindo para “o crescimento individual e coletivo e está devolvendo a confiança e o respeito mútuo, a essas pessoas, resgatando a auto-estima bem como traçando todas as possibilidades de criação, num intercâmbio cada vez maior”. Este intercâmbio, segundo a cantora, se dá com o engajamento de vários músicos, cantores e compositores paraibanos que se apresentam como PADRINHOS MUSICAIS desta nova geração.
Você deve está se perguntando o que fazem os padrinhos-musicais dessa geração de artistas que está brotando lá no Vale do Gramame? Entre tantas iniciativas, os padrinhos (as) mudam tom, harmonias, sugerem ritmos, refrões, tudo que pode melhorar no resultado final de cada peça musical e a resposta é emocionante. A iniciativa começou há três anos e desde o primeiro encontro que a produção vem sendo registrada em CD´s. É a história de uma empreitada sendo contada.
A versão do Encontro 2008 contou com padrinhos musicais como a cantora Gláucia Lima, o cantor e compositor Adeildo Vieira, o compositor Salvador de Alcântara, a cantora Eleonora Falcone, os maestros Luiz Carlos Otávio e Carlos Anísio, os músicos Luiz Augusto Hassein e Mestre João, Bruno Miranda, Murilo César, Regina Negreiros e Angélica Lacerda (As Bastianas), Paulo Ró, Beto Brito, Jaqueline Alves, enfim, muita gente ajudando a dar um novo sentido a vida destas pessoas.
As letras musicais dos artistas de Mituaçu, Colinas do Sul, Engenho Velho e Gramame falam do universo daquela região, da sua gente, sua fauna e flora, da necessidade da preservação da natureza, do ecossistema, da importância e da necessidade de cuidar do Rio Mumbaba, hoje poluído, segundo a canção de Mestre João, Ciça e Geralda. “Porque deixar, isso tudo acontecer/E o que fazer para a natureza proteger/”, indaga o compositor Jackson Silvério em sua musica intitulada Poder da União.
Adriano Lima e Lucas Silvério destacaram na sua canção, batizada de Esperança vou Ter, que é uma balada, que Mituaçu é um lugar lindo mas estão destruindo as matas verdes e seu lar. Ele chama atenção na música para a necessidade de preservar a natureza do lugar. “Hoje eu sinto que precisa de mim/ O macaco, a cobra e o curió não podem ter fim/Não acabou e nem deve acabar/ A cutia e o timbu e o sabiá/ Vamos juntos nesta missão/Cuidar da mata, é o nosso solo, este chão”/. Este pequeno trecho que extrai da sua canção mostra bem a preocupação dessa juventude com o seu povo, seu lugar. Isso só nos enche de esperança e certeza de que nem tudo está perdido.
A Escola Viva Olho do Tempo abriu sentinela e está atenta e resgatando não só a cidadania desse povo bem como estimulando valores diversos dessa gente que escreve, toca, dança, e pinta sua vida, incentivando, estimulando o que há de melhor nas pessoas simples deste lugar e transformando-os em pessoas dignas.
Os novos artistas da região do Vale Gramame são a prova viva de que nas comunidades periféricas também se produz , através da arte, gente decente e digna e que através da solidariedade e da boa intenção de professoras que trocaram a vida urbana por uma área mais rural para viverem, podem transformar a qualidade de vida das pessoas tornado-as cidadãs do mundo ainda possível de se viver com dignidade. O belo e acolhedor trabalho que está em pauta naquela comunidade conta com o apoio imprescindível da Funjope e das pessoas da EVOT que tornaram esse sonho possível. Desejo vida longa aos que fazem a EVOT e a todos os artistas revelados naquela área da Paraíba, distante 30 minutos da Capital.Que este exemplo seja seguido.
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Célia Leal
Célia Leal - Jornalista e Relações Publicas, graduada pela UFPB. Como repórter durante 15 anos, foi premiada algumas vezes. Já tendo atuado com destaque nos jornais A União, Correio da Paraíba e O Norte, além ter assessorado vários sindicatos, políticos e ONG,s. Também foi produtora e editora da Revista Mosaico, redatora do Portal Correio e do telejornal Cidade Revista.http://paraibanews.com/author/celia
jornalista.celialeal@hotmail.com
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29/09/08 às 10:32
Obrigado Célia por proporcinarmos momentos de extrema gradesa na arte do jornalismo cultural Paraíbano.Adorei a entrevista com Zezita Matos, e essa que ressalta o incentivo aos novos artista. Continue assim imparcial e sem horoismo.
29/10/08 às 2:34
Agradecida Célia,
Bela matéria este trabalho que dtem a duração de um ano é muito difícilmas é muito belo pois vemos pessoas abrir seus corações para o medo sair fortalecendo a voz , a vida o poder ser pessoa , cidadão.
O lançamento do CD será dia 24 de nov no tetro S. Roza , às 18 hs . Vamos Aplaudir a vida.
Doci Gomes
Diretora de Educação e Cultura do Olho do Tempo-Evot
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