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Publicado em 17/06/2008 às 13:55 -
“Clássicos à Nanquim”- DalÃ
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalà i Domènech nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade espanhola de Figueres (Catalunha). Foi um dos mais importantes artistas plásticos (pintor e escultor) surrealistas da Espanha. Desde a infância, Dalà demonstrou interesse pelas artes plásticas. No ano de 1921, entrou para a Escola de Belas Artes de São Fernando, localizada na cidade de Madri. Porém, em 1926, foi expulso desta instituição, pois afirmava que ninguém era suficientemente competente para o avaliar. Nesta fase da vida, conviveu com vários cineastas, artistas e escritores famosos, tais como: Luis Bruñel, Rafael Alberti e Frederico Garcia Lorca.
Em 1929, viajou para Paris e conheceu Pablo Picasso, artista que muito influenciou a produção artÃstica de DalÃ. No ano seguinte, começou a fazer parte do movimento artÃstico conhecido como surrealismo. A década de 1930 foi um perÃodo de grande produção artÃstica de Dali. Nesta fase, o artista representava imagens do cotidiano de uma forma inesperada e surpreendente. As cores vivas, a luminosidade e o brilho também marcaram o estilo artÃstico de Dali. Os trabalhos psicológicos de Freud influenciaram muito o artista neste perÃodo É desta fase uma de suas obras mais conhecidas “A persistência da Memória”, que mostra um relógio derretendo.
Em 1934, Dali casou-se com uma imigrante russa chamada Elena Ivanovna Diakonova, conhecida como Gala. Em 1939, foi expulso do movimento surrealista por motivos polÃticos. Grande parte dos artistas surrealistas eram marxistas e justificaram a expulsão de DalÃ, alegando que o artista era muito comercial. Em 1942, Dali e sua esposa foram morar nos Estados Unidos, paÃs em que permaneceu até 1948. Voltou para a Catalunha em 1949, onde viveu até o final de sua vida. Em 1960, Dali colocou em prática um grande projeto: o Teatro-Museo Gala Salvador Dali, em sua terra natal, que reuniu grande parte de suas obras. Em 1982, com a morte de sua esposa Gala, Dali entrou numa fase de grande tristeza e depressão. Parou de produzir e se recusava a fazer as refeições diárias. Ficou desidratado e teve que ser alimentado por sonda. Gala havia sido uma companheira fiel e dedicada. Era a melhor amiga de Dali e também sua musa inspiradora. Assim, em 1984, Dali tentou o suicÃdio ao colocar fogo em seu quarto. Passou a receber o cuidado e atenção de seus amigos. O artista morreu na cidade de Figueres, em 23 de janeiro de 1989, de pneumonia e parada cardÃaca.
Sobre as obras do artista na Exposição Clássicos à Nanquim
Canibalismo de Outono
Foi pintado em 1936 utilizando a técnica de óleo sobre tela e pode ser visto na Tate Galery, em Londres. Canibalismo de Outono é a resposta de Dalà ao inÃcio da Guerra Civil Espanhola: um quadro em que um homem e uma mulher trincham as carnes um do outro.
Os canibais não estão a lutar, mas se abraçando e beijando; as formigas (em DalÃ, sÃmbolo da decadência) estão atrás, e a gaveta aberta de penteadeira (outra imagem comum em DalÃ) sugere a presença de uma mente inconsciente, uma caixa de Pandora de desejos e impulsos inaceitáveis.
A Face da Guerra
A Face da Guerra (1940) - no detalhe da foto, executada dentro do projeto ‘Clássicos à Nanquim’ - foi pintada nos Estados Unidos, onde Dalà viveria oito anos e alcançaria o auge de sua fama e sucesso mundiais. Uma cabeça parecendo uma caveira rodeada de longas e sibilantes serpentes tem todos os orifÃcios repletos de esqueletos; cada um contém esqueletos e esqueletos-dentro-de-esqueletos, de forma que a cabeça está ‘recheada de morte infinita’, um sÃmbolo potente da era dos campos de concentração e assassinatos em massa.
Construção Mole com Feijões Cozidos: Premonição da Guerra Civil
A pintura foi realizada em 1936. Dalà gostava de dizer que este quadro famoso comprovava o seu gênio intuitivo, visto que terminou de pintá-lo antes de estourar a Guerra Civil Espanhola, em julho de 1936. Mas a Espanha vinha passando por muitas perturbações há alguns anos, e as origens da Premonição da Guerra Civil podem ser encontradas nas experiências de Dalà durante a insurreição separatista de 1934, na Catalunha. A lógica de Dalà equacionava as convenções de uma mesa de jantar; portanto, a carne rasgada deveria ser servida com vegetais, daà os feijões cozidos espalhados pela tela.
Os três quadros expostos representaram desafios semelhantes para mim. O maior deles era reconhecer cada objeto ali representado pelo pintor, entre eles lÃnguas imensas presas a pregos e seres disformes que parecem entrar um no outro. Depois de horas de reconhecimento, passava à parte propriamente dita do desenho, que era igualmente complexa, por ter que compor num mesmo espaço diversos objetos surreais saÃdos da extravagância de Salvador DalÃ.
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Jorge Elô
Jorge Elô é historiador - graduado pela Universidade Estadual da ParaÃba (UEPB) - quadrinhista, artista plástico e poeta. Também é ilustrador da revista de poker Card Player Brasil, embora não entenda nada de carteado. Publica suas aventuras em quadrinhos no blog www.aventurasdavidacomum.blogspot.com e em periódicos diversos, a exemplo de "O Cometa Itabirano" de Minas Gerais. Acredita na existência. Dedica todos os seus dias ao exercÃcio do existir. O resto é somente bônus.http://www.paraibanews.com/author/elojorge
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