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Publicado em 30/06/2008 às 9:06 -
“Clássicos à Nanquim” - Degas
Edgar Degas (1834-1917) foi um dos maiores desenhistas de esboço do século XIX, com um maravilhoso domÃnio da forma e do movimento e com uma visão rigorosa na apresentação de pormenores. Embora fosse entre todos os impressionistas o menos interessado pela paisagem, Degas era capaz de pintar bonitos e convincentes cenários ao ar livre para as sua figuras.
Apesar do seu gosto pela arte da Renascença italiana, o pintor nunca trabalhou com o que Ticiano e Rafael teriam designado por “grande escala”. A maior parte das suas obras aparece surpreendentemente pequena – “surpreendentemente”, porque o equilÃbrio das composições e o seu cunho pessoal, livre e delicado, dão à s reproduções uma aparência enganadora.
Infelizmente, os olhos de Degas começaram a lhe causar preocupação, pela primeira vez, no começo de 1870, depois de uma doença contraÃda no serviço militar durante a Guerra Franco-Prussiana. A vista começou faltar-lhe ainda mais por volta de 1890; finalmente, em 1908, desistiu quase completamente de pintar. Foi vivendo, mas de fato a sua vida tinha terminado. Tornara-se rabugento e irritável, repetindo velhas máximas anedotas, e embrenhando-se em silêncios horrÃveis que costumava interromper sempre com a mesma afirmação patética: “A morte é a única coisa que penso.” A sua obra tardia é naturalmente muito mais grosseira; e começou a preferir o emprego do pastel, que lhe permitia fixar a cor sem sacrifÃcio do traçado. Morreu praticamente cego em 1917.
Sobre as obras do artista na Exposição Clássicos à Nanquim
Ensaio de Bailarinas
Degas, desenhista famoso, aplicava (e apreciava) um contorno preciso das formas para obter muito dos seus efeitos artÃsticos. Dessa forma, os esboços tiveram um papel muito mais importante na evolução dos seus quadros do que em qualquer outro pintor impressionista. Um dos problemas que se depara a todos os pintores que escolhem representar o mundo à sua volta é a instabilidade do assunto. O tempo altera-se, o Sol esconde-se por detrás das nuvens, chove, no café as pessoas que eram desenhadas na mesa do lado pagam a conta e vão-se embora. Para Degas, esse problema era particularmente intenso; era um trabalhador lento e um homem tÃmido num ambiente estranho. Necessitava de desenhar um pormenor ou uma figura várias vezes seguidas. O ballet constituÃa, portanto, um assunto ideal. Envolvia movimento, de que sempre gostara. As bailarinas estavam habituadas a ser observadas fixamente e o ritual dos ensaios coincidia com a própria necessidade do artista de confirmar suas impressões visuais através da repetição. A disciplina da dança foi um tema central na arte de Degas; mas ela tinha também relações mais profundas com a natureza dessa arte. O esboço Ensaio de
Bailarinas - no detalhe da foto, executado dentro do projeto ‘Clássicos à Nanquim’ - tal como tantos trabalhos de Degas, mostra a figura vista por detrás, criando um efeito de naturalismo através da impressão visual de que a bailarina não tem consciência de nossa presença.
Nesta gravura, minha preocupação principal foi com as personagens que aparecem disformes no pano de fundo. Tive o cuidado para que elas não ficassem monstruosas. Busquei traços soltos, sem muita cautela com o sentido e direção do traço. A liberdade do movimento tornou-se mais importante do que uma suposta rigidez técnica, comum ao uso do nanquim.
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Jorge Elô
Jorge Elô é historiador - graduado pela Universidade Estadual da ParaÃba (UEPB) - quadrinhista, artista plástico e poeta. Também é ilustrador da revista de poker Card Player Brasil, embora não entenda nada de carteado. Publica suas aventuras em quadrinhos no blog www.aventurasdavidacomum.blogspot.com e em periódicos diversos, a exemplo de "O Cometa Itabirano" de Minas Gerais. Acredita na existência. Dedica todos os seus dias ao exercÃcio do existir. O resto é somente bônus.http://www.paraibanews.com/author/elojorge
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