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Publicado em 19/08/2008 às 11:53 -
Dorival Caymmi: O dengo e o amor pelas coisas simples da vida
Artista morreu no último sábado de câncer, no Rio de Janeiro.
Quando a imprensa anunciou a morte do cantor e compositor Dorival Caymmi, senti um grande vazio. Mas logo me confortei por saber que este homem de fala mansa deixava um legado incomparável. Todo o seu repertório trazia na poesia deste baiano/carioca a essência da sua existência e de um povo simples que ele entoava nas canções que fazia ao contemplar o mar, ao observar de perto a vida e a tragédia dos trabalhadores do mar, em sua terra natal, contada na Suíte dos Pescadores.
Caymmi suspirou pela última vez nas primeiras horas da manhã do último sábado, quando teve decretada a falência múltipla dos órgãos, conseqüência de um câncer. A Musica Popular Brasileira ficou órfã. As novas gerações talvez não façam idéia de quem é Dorival Caymmi mas certamente já ouviram ou cantaram o Samba da minha Terra, Saudade da Bahia e O que é que a Baiana tem?.
Autor de canções que se tornaram patrimônio da cena musical nacional como Dora, Acalanto, Suíte dos Pescadores, João Valentão, Das Rosas, entre tantas, Caymmi com todo o dengo e paciência peculiar do autêntico baiano, criou sua arte ao sabor do tempo, sem seguir modismos. Não é por acaso que essa profunda relação de amor entre Caymmi e sua terra natal fez dele seu maior poeta e cantor.
Ele cantou seu povo na música “O que é que a baiana Tem” ; cantou o amor, em “Sábado em Copacabana”; cantou as ondas, a vida dos pescadores, em O Mar; cantou a sua saudade da Bahia, a beleza morena em Marina e a sua crendice em Oração de Mãe Menininha. As composições faziam das canções de Dorival Caymmi um homem atemporal.
Essa fidelidade com coisas e as pessoas do lugar fez dele, segundo Jorge Amado, “o cantor das graças da Bahia”. O mestre Tom Jobim também sentenciou: “Acho o Caymmi ilimitado como o mar que ele canta”. E era mesmo. Simples, poético, profeta. “Pobre de quem acredita /na fama e no dinheiro para ser feliz”, sentenciava Caymmi em sua canção batizada de Saudade da Bahia.
Mas quem foi esse homem de imensa simpatia pessoal e todo dengo da Bahia? Sua ligação com a música começou ainda criança e talvez por herança genética de seu pai o funcionário público Durval Henrique Caymmi. Ele tocava violão e bandolim nas horas vagas e seu filho Dorival, nascido em Salvador a 30 de abril de 1914, mostrou-se fã ardoroso dos serões musicais do pai e precoce amante das coisas e das gentes do mar.
Dada a precariedade econômica da família, Dorival teve de abandonar cedo a escola para trabalhar. Arranjou seu primeiro emprego n’o O Imparcial, onde foi auxiliar de escritório e depois revisor. Esse jornal baiano acabou fechando, mas deixou em Dorival a vontade de mexer com arte e diagramação pois Caymmi já sentia em si uma “queda para desenho”.
O segundo emprego, de vendedor pracista de bebidas, terminou em tremenda bebedeira com o amigo José Rodrigo, que um dia resolveram testar a qualidade da mercadoria bebendo o sortimento de amostras. Nessa época, Caymmi já dedilhava o violão com o amigo Zezinho e escutava os sucessos de Lamartine Babo, Noel Rosa, João de Barro e outros. Passou a parodiar músicas mais conhecidas e de brincadeira em brincadeira, acabou compondo, em 1930, sua primeira música: a toada “No Sertão”.
Mais adiante venceu concurso de musicas carnavalescas e com algumas compostas, a maioria falando do mar, dos pescadores e do cotidiano popular da Bahia, Dorival decidiu enfrentar o julgamento da então capital federal, mudando-se para o Rio de Janeiro. As oportunidades foram surgindo e as primeiras experiências também.Vieram os contatos. Ao mesmo tempo Caymmi começava a freqüentar a roda dos músicos eruditos e dos artistas plásticos. Decidiu seguir o conselho de Jorge Amado, então cumpadre e passou a dedicar-se a música. Nunca mais parou.
A história de Caymmi também tem um pé na bossa nova. Considerado um dos precussores deste estilo musical, o nome dele foi se firmando como um marco na história da MPB. Muitos clássicos foram registrados na voz dele e de muitos outros. Há muito que contar e falar sobre Dorival Caymmi mas fica aqui a minha homenagem, a saudade e a certeza de que bom proveito faremos do seu legado musical.
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Célia Leal
Célia Leal - Jornalista e Relações Publicas, graduada pela UFPB. Como repórter durante 15 anos, foi premiada algumas vezes. Já tendo atuado com destaque nos jornais A União, Correio da Paraíba e O Norte, além ter assessorado vários sindicatos, políticos e ONG,s. Também foi produtora e editora da Revista Mosaico, redatora do Portal Correio e do telejornal Cidade Revista.http://paraibanews.com/author/celia
jornalista.celialeal@hotmail.com
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21/08/08 às 3:50
Célia, adoraria se vc divulgase neste espaço o lançamento de meu video sobre os cabarés de JP.
Vou mandar o release para ti, ok?
Beijos