Gonçalo Pontes Júnior » Colunistas
Publicado em 22/04/2008 às 11:11 -
Glamourização do estresse e a sÃndrome do gestor assoberbado
Tudo o que somos hoje é conseqüência das decisões do passado. E o que seremos é o fruto das decisões do presente.
Essa forma de pensar, com o passar do tempo vem se tornando um adágio popular, uma regra, uma certeza.
No mundo corporativo globalizado, a gestão tem sido cada vez mais a responsável pelos resultados alcançados pelas empresas e essa tendência irá continuar cada vez mais forte e, indiscutÃvel. Ou seja,
o gestor será cada vez mais cobrado pelos resultados.
Tratando-se, então, de um quadro irreversÃvel, cabe-nos uma reflexão: vivendo dessa forma, vale a pena ser um lÃder, um gestor?
Tenho duas respostas para essa indagação: a primeira é “não”, para aqueles que ainda vivem as estratégias e momentos do passado, onde gerir pessoas era confundido com organizar documentos; a segunda resposta é “sim”, logicamente para aqueles profissionais que vivem o amanhã hoje.
Tomando por parâmetro apenas este último profissional, é sobre a resposta dele que desejo comentar.
Não restam dúvidas que as estratégias profissionais do passado não servem mais para os nossos dias. Isso é ponto pacÃfico no momento que vive o mercado, cada vez mais globalizado. Insistir e tentar reviver esse passado é pedir para ficar de fora da possibilidade de sucesso.
A grande questão é a forma como esse lÃder/gestor moderno tem entendido por estresse e excesso de trabalho.
Em primeiro lugar falemos sobre estresse: acho que é a doença do momento. O elevado padrão de tensão, conseqüência da pressão do “TER QUE FAZER” o mais rápido possÃvel e da melhor forma, ou seja, com qualidade referencial, passou a ser uma obrigação da empresa de sucesso e, logicamente, por depender do trabalho humano para isso acontecer, o lÃder/gestor passou a ser o responsável direto pelo
resultado, o que o faz extremamente pressionado.
De forma, interessante e paradoxal, veja você meu caro leitor que o estresse também passou a ser a desculpa do momento para se deixar de fazer algo que tem que ser feito. Outro dia, em minha casa, estava lendo um livro e pedi a uma de minhas filhas um copo d’água. Da sala de televisão ela gritou: “pai pede a minha irmã porque estou estressada.” Dei um pulo da minha cadeira e, preocupado fui até ela.
-Puxa filha, você tão criança e já está estressada, o que está acontecendo?”De pronto ela falou: “ou pai, estou assistindo um filme e se eu levantar para pegar a água, perderei a melhor parte, deixa de
confusão e peça a minha irmã.” A Priscilla, então, utilizou a palavra estresse como desculpa para deixar de fazer algo.
Assim também tem ocorrido no dia-a–dia do ser humano.
Se fizermos uma pequena análise quando ouvimos de alguém essa palavra como um “estado”, concluiremos que a grande maioria não está sendo verdadeira, ou seja, não está com a doença.
Os gestores, de igual forma, passaram a dar uma glamorização ao que se chama estresse em qualquer momento que se encontra diante de uma crise, um conflito ou, mesmo, diante de uma situação de dificuldade qualquer.
Precisamos entender que a pressão faz parte do jogo e é o tempero para “se desenhar” o caminho para o reconhecimento profissional pelo resultado obtido.
Ora, se é algo que faz parte do cotidiano de um gestor, se a pressão é parte integrante do processo de lidar com o ser humano, o que temos em verdade é uma potencial ferramenta de uso diário. Ainda criança, aprendi que quando se quer que algo seja feito em um prazo pré-estabelecido, deve-se sempre pedir a alguém ocupado para fazer. É a pressão que não nos deixa perder o foco, deixar de sonharmos ou, de correr atrás desses sonhos.
Para facilitar, temos a tecnologia do nosso lado que, com rapidez, nos dá o mapa da mina, seja como anda o processo, seja o prognóstico temporal de seu alcance, facilitando-nos a correção, o reconhecimento,
a diminuição de tempo, etc..
Por vezes tenho tentado entender a confusão que fazemos perante Deus. Oramos, rezamos, clamamos, pedimos a Deus para que aquela vaga que surgiu na “gerência” seja nossa, aquela promoção para liderar cada vez mais do alto, que ela aconteça… e aÃ, quando Deus nos ouve, reconhecendo nosso mérito e nos premia com o cargo pretendido, começamos a reclamar da falta de tempo, da pressão, “do suposto”
estresse. Fico imaginando como fica o nosso “Pai” diante dessa confusão “pedido X reclamação”, que repetidamente em nossas vidas ocorrem.
Sei e todos sabem que não é fácil lidar com seres humanos, todavia é o papel da gestão compreender as diferenças de comportamentos e das atitudes profissionais e uni-los na busca do resultado que é comum a todos.
Lidar com os requisitos atualizados de gestão (a pressão e o excesso de trabalho estão incluÃdos) com aceitação e sem reação (pois faz parte do jogo) é saber utilizar as regras em prol da pretensão para o
sucesso.
A grande preocupação deve ser do gestor que não vive essa situação - isso é um sinal que ele deverá, em breve, dar lugar a outro profissional.
Portanto caros gestores compreendam que o momento que estamos vivendo é Ãmpar, somos a bola da vez. Ter muito o que fazer deve ser encarado como uma oportunidade.
Por tudo isso, é que precisamos parar de glamourizar o estresse e de reclamar pelo que temos de fazer.
Muito trabalho e muita cobrança são sinônimos da real importância de um gestor.
SUCE$$O E A ATÉ A PRÓXIMA.
As opiniões expressas ou insinuadas nas colunas deste portal pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do ParaibaNews.com ficando o portal livre de qualquer responsabilidade sobre qualquer consequência.
Gonçalo Pontes Júnior
Conferencista, Consultor e Palestrante, Graduado em Economia e Direito, Master Business Administration (MBA)– Em Gestão Empresarial, Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho, há quase 10 anos dedica-se à pesquisa de cenários e tendências de gestão das organizações privadas e públicas, especialmente quanto a temas ligados à qualidade, estratégias competitivas, criatividade, transformação, motivação e inovação, bem como, a melhoria da capacitação profissional, desenvolvimento e aumento qualitativo do capital intelectual. www.gpontes.comhttp://paraibanews.com/author/gpontes
contato@gpontes.com
» mais artigos do colunista






