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Publicado em 14/07/2008 às 7:05 -
Inflação e prudência
O Brasil conseguiu grandes feitos na economia, coroados com a entrada no chamado “grau de investimento”. Passamos “raspando”, mas fomos aprovados como objeto da confiança dos investidores sem pátria. Despencou o risco Brasil, valorizou-se o real, conseguimos superávits sucessivos na balança comercial, que garantiram até superávit no balanço de pagamentos, nossas reservas estão perto dos 200 bilhões de dólares. Euforia geral. Meio juvenil. Como daquele garotão que teve sua promoção: foi aumenta de mil para mil e duzentos reais, e sai a gastar e a se endividar, achando que é o rei da cocada preta. Está esquecendo que depois de hoje vem amanhã.
A euforia juvenil se traduz por uma sensação, no governo, de que está tudo resolvido e já dá para voltar a gastar. Como se tivessem parado de gastar. Não há planejamento; vale dizer, não há estratégia econômica. Não há ninguém no governo que saiba, ou tenha coragem, de dizer não. A oposição, para deixar mal o governo, engrossou os votos do governistas e aprovou a fim do chamado fator previdenciário. Vão dar o mesmo percentual de reajuste do salário-mínimo para os benefícios acima do teto e vão aumentar ainda mais o déficit da previdência.
Um correto senador petista, Tião Viana, resolveu dar mais dinheiro para a saúde, com 10% da receita bruta da União. Os senadores da oposição votaram a favor, para deixar o governo com o encargo de fazer a mágica. E agora os deputados precisam decretar a páscoa da ressurreição da CPMF, se quiserem pagar a conta. Se não der, o presidente fica no constrangimento de vetar saúde ou desequilibrar as contas. De um lado, o Presidente anuncia com pompa e circunstância uma política para estimular a indústria e de outro seus companheiros sindicalistas exigem a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. É para arrancar os cabelos dos industriais.
Sem estratégia, puxa cada um para seu lado. Querem ampliar a tarifa elétrica social, cobrando mais do consumidor domiciliar e industrial. Para combater a inflação, o Banco Central sobe a Selic, e a Fazenda diz que basta subir o superávit primário. A iniciativa privada parece um ratinho cobaia. Cada vez que o governo leva um susto, lá vem imposto. A União, enquanto isso, vem batendo recordes de arrecadação. E os gastos correntes continuam correndo mais que o crescimento da economia.
Chama-se “A Arte da Prudência”, um livro de preceitos, publicado em 1647, escrito pelo monge espanhol Baltasar Gracián. O autor mostra o quanto é necessário na vida ter cautela, ter prudência. Nosso jovem governo pode estar a enganar-se com a superfície, sem ter resolvido a raiz. Ainda falta educação, saúde, segurança. Ainda falta ter futuro, depois que o presente superou o passado. O soluço da inflação pode estar a avisar da falta de prudência.
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Alexandre Garcia
O jornalista Alexandre Garcia começou no rádio aos sete anos, fazendo papéis infantis em radionovelas. É formado em primeiro lugar nos três anos do curso técnico de Contabilidade e no vestibular em todo o curso, na PUC/RS, onde depois lecionou. Foi correspondente no exterior pelo Jornal do Brasil e depois subsecretário de imprensa da Presidência da República por 18 meses. Foi diretor da TV Manchete e diretor de jornalismo da TV Globo em Brasília. É repórter especial, comentarista e apresentador no Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Globo Repórter e tem programa semanal na Globonews. Apresenta e coordena o noticiário do meio-dia da TV Globo Brasília. Escreve para duas revistas mensais e mantém coluna semanal em 15 jornais. Tem comentários diários em 170 emissoras de rádio. Faz palestras pelo Brasil. Cobriu três guerras(Angola, Líbano e Malvinas) e recebeu da Rainha Elisabeth II a Ordem do Império Britânico. Foi enviado especial no Peru, Paraguai, Colômbia e Chile. E correspondente especial na Argentina e Uruguai. Agraciado com 15 condecorações nacionais. Recebeu o Prêmio Volvo de Segurança de Trânsito. Escolhido, pelo voto secreto dos estudantes de Brasília, como Personalidade do Ano de 1996. Em 1997, o Poder Legislativo outorgou-lhe o título de Cidadão de Brasília. Autor de João Presidente e Nos Bastidores da Notícia, que vendeu mais de 60 mil exemplares e está na 11ª edição.http://www.paraibanews.com/author/alex
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