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Publicado em 30/06/2008 às 7:10 -
Oportunidade e Crise
Se cada chinês comer um frango a mais por ano e puser no macarrão diário uns pedacinhos a mais de carne de porco – 22 gramas - o mundo teria que produzir, a mais, 27 milhões de toneladas de milho e 10 milhões de toneladas de soja, para engordar frangos e porcos. O cálculo é do especialista em agricultura, da Fundação Getúlio Vargas, Mauro Lopes. O problema não seria a soja, que a China teria que importar, mas o milho. A demanda extra provocaria um acréscimo tão grande que ou os atuais compradores ficariam sem o produto ou o preço do milho iria disparar. A necessidade chinesa seria equivalente a quase metade das exportações americanas – os maiores exportadores de milho do mundo.
Mostro isso para lembrar da grande oportunidade que é oferecida ao Brasil. Mas também lembro de minhas leituras de adolescente, que mostravam a possibilidade de a Terceira Guerra Mundial ser provocada pela fome, pela necessidade de comida, pela falta de alimentos e de água potável. Na reunião da FAO, no início deste mês, o órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura fez tudo para não politizar a escassez de alimentos. Quer dizer, a ONU tem noção do barril de pólvora que é a questão. A fome é má conselheira e leva a desespero. No entanto, para alimentar China e Índia, dois países que, juntos, tem mais de 2 bilhões de habitantes, o Brasil pode aproveitar-se do ideograma mandarim que forma a palavra crise usa o sinal de oportunidade.
Temos oito milhões e meio de quilômetros quadrados, mais de sete mil quilômetros de litoral; água abundante e terras ainda à espera da agricultura. Sol abundante e conhecimento técnico para produzir alimentos. Só nos falta capacidade para investir. Demanda vai haver. Talvez temendo esse potencial formidável, nossa concorrência nos acuse de produzir etanol em detrimento de alimentos. O presidente Lula, na FAO, deu uma boa resposta: o que tira de alimento é o etanol de milho, não o da cana. O da cana pode tirar da cachaça… ou do açúcar, que causa diabetes e obesidade. Ante a acusação de que devastamos a Amazônia para produzir álcool, Lula lembrou que a distância entre uma lavoura de cana e a floresta amazônica é maior que a distância entre o Vaticano e o Kremlin. Os europeus não estão acostumados com as distâncias brasileiras.
Mas se temos tanta riqueza potencial, tanto poder futuro de alimentar o mundo, precisamos da ciência para que não destruamos essa riqueza, como fizemos no passado, com a exploração predatória. É preciso aproveitar a Amazônia sem isolá-la numa redoma e sem devastá-la. Além disso, não teremos moral para alimentar o mundo enquanto brasileiros estiverem passando fome. Nem é atendendo ao antiquado MST que vamos resolver a produção de alimentos. A agropecuária de hoje já não é a da enxada, mas do computador. O Brasil adora desperdiçar oportunidades. Talvez prefira a crise.
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Alexandre Garcia
O jornalista Alexandre Garcia começou no rádio aos sete anos, fazendo papéis infantis em radionovelas. É formado em primeiro lugar nos três anos do curso técnico de Contabilidade e no vestibular em todo o curso, na PUC/RS, onde depois lecionou. Foi correspondente no exterior pelo Jornal do Brasil e depois subsecretário de imprensa da Presidência da República por 18 meses. Foi diretor da TV Manchete e diretor de jornalismo da TV Globo em Brasília. É repórter especial, comentarista e apresentador no Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Globo Repórter e tem programa semanal na Globonews. Apresenta e coordena o noticiário do meio-dia da TV Globo Brasília. Escreve para duas revistas mensais e mantém coluna semanal em 15 jornais. Tem comentários diários em 170 emissoras de rádio. Faz palestras pelo Brasil. Cobriu três guerras(Angola, Líbano e Malvinas) e recebeu da Rainha Elisabeth II a Ordem do Império Britânico. Foi enviado especial no Peru, Paraguai, Colômbia e Chile. E correspondente especial na Argentina e Uruguai. Agraciado com 15 condecorações nacionais. Recebeu o Prêmio Volvo de Segurança de Trânsito. Escolhido, pelo voto secreto dos estudantes de Brasília, como Personalidade do Ano de 1996. Em 1997, o Poder Legislativo outorgou-lhe o título de Cidadão de Brasília. Autor de João Presidente e Nos Bastidores da Notícia, que vendeu mais de 60 mil exemplares e está na 11ª edição.http://www.paraibanews.com/author/alex
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30/06/08 às 1:02
O Alexandre Garcia como sempre antenado com assuntos relevantes como é caso da crise mundial de alimentos abordado nesta coluna.
Parabens Paraibanews! pela por ter entre seus colunistas esse expoente do jormalismo brasileiro.