Adriana Crisanto » Colunistas
Publicado em 18/01/2008 às 0:59 -
Patrimônio Imaterial
Expressões da Cultura Popular da Paraíba estão sendo inventariadas
Congo, Pontões (Cabaceiras e Pombal) e Nau Catarineta (Cabedelo) são algumas das expressões da cultura imaterial paraibana que estão sendo investigados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), seção Paraíba e muito em breve podem entrar para o livro de tombos Iphan.
Coletivo de Cultura e Educação Meio do Mundo, coordenado pelos professores Maria Ignez Novais Ayala e Marcos Ayala, em 2006, fez um levantamento documental da Paraíba, graças à seleção de um edital do instituto. Foram encontrados vários documentos em acervos de entidades de João Pessoa. “Tenho conhecimento de que a Superintendência Regional da Paraíba e Rio Grande do Norte fizeram um levantamento preliminar e identificaram, como possíveis bens a serem inventariados, o congo e os pontões, de Pombal, as atividades em torno do couro, em Cabaceiras e as naus catarinetas de Areia e Cabedelo (notícia publicada na imprensa local em 20 de maio de 2007: Nau Catarineta pode se tornar bem imaterial). Sem dúvida, os Congos e os Pontões merecem um inventário”, disse Marcos Ayala.
Em outubro de 2003, pesquisadores da Organização Não Governamental (ONG) Cachuêra! de São Paulo, fizeram o registro da Festa do Rosário juntamente com integrantes do Coletivo de Cultura e Educação Meio do Mundo. A ONG paulista tinha acabado de realizar uma pesquisa sobre congos e congadas do sudeste e os pesquisadores que aqui estiveram confirmaram nossa percepção sobre a singularidade dos Congos de Pombal.
O critério do risco também se aplica, pois, na década de 1980, quando o coletivo realizou a pesquisa sobre a festa que resultaria na tese de doutoramento do professor Marcos Ayala sobre a Festa do Rosário de Pombal, os “Negros do Rosário” mantinham atritos com o pároco local; nos últimos anos. “Temos visto o tempo destinado a estes grupos populares se reduzir, sendo tomado por outras atividades, como a representação de peças de cunho religiosos realizados por jovens ligados à Igreja. Essa situação atinge os congos, os pontões, a banda cabaçal que acompanha os pontões, o reisado que se incorporou à Festa do Rosário em meados do século passado e os Tropeiros do Sabugi, grupo surgido mais recentemente”, comentou Marcos.
No final do ano passado, o prefeito da Capital paraibana, Ricardo Coutinho, conseguiu fazer com que a cidade se tornasse parte do Patrimônio Nacional, preservando assim seu patrimônio material, ou seja, os prédios, casarões e casarios da cidade velha não podem ser tocados por seus novos ou antigos inquilinos.
A medida colocou os moradores da cidade mais alegres, de fato foi uma conquista. No entanto, é importante também salvaguardar a cultura imaterial de nossa de nossa terra que é tão rica quanto o patrimônio de pedra e cal. Preservá-lo significa valorizar seu conhecimento e ação. A salvaguarda dos bens imateriais são orientados para a valorização do ser humano, para a garantia e melhoria das condições sociais, culturais e ambientais que permitem sua permanência.
Os santos, as danças, as festas, as comidas, a poesia popular e até as supertições de um povo fazem parte do patrimônio imaterial. Se, por acaso, a reflexão e a conseqüente ação sobre o patrimônio cultural imaterial do Brasil tivesse um santo padroeiro, esse santo seria o escritor Mário de Andrade. Polemista de ótima cepa ele foi o cérebro da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos mais importantes nomes da cultura brasileira do século passado. De acordo com a cartilha do próprio Iphan, foi ele quem iniciou as primeiras reflexões sobre a importância do patrimônio cultural imaterial para a cultura de um povo.
O pesquisador e professor de sociologia da cultura da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Marcos Ayla, disse que o uso do conceito no Brasil é recente e responde a uma mudança no enfoque do patrimônio, seguindo uma tendência internacional capitaneada pela Unesco. De acordo o pesquisador este patrimônio não tombado, mas pesquisado e registrado.
Os bens imateriais estão reunidos em quatro categorias, a cada uma delas correspondendo um Livro de Saberes, para os conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades, Livro de Registro de Celebrações para os rituais e festas que marcam vivência coletiva, religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida social, o Livro de Registros das Formas de Expressão, para as manifestações artísticas em geral e o livro de registro de expressão para mercados, feiras, santuários, praças onde são concentradas ou reproduzidas práticas culturais coletivas.
Como é feito o inventariado do bem imaterial?
Os critérios que definem que o bem cultural seja salvaguardado são basicamente sua importância para a cultura brasileira e para a cultura da região onde é encontrada, sua vinculação a grupos que têm sido desprovidos de acesso aos bens e aos benefícios das políticas públicas (econômicas, de educação, cultura, saúde e habitação) e ainda a situação de risco que o bem se encontra.
“No que diz respeito ao risco temos que lembrar que a cultura popular tem sido bastante desprestigiada, quando não hostilizada, por prefeitos que preferem contratar artistas e grupos com destaque na mídia, que cantam os gêneros que estão na moda, ou por pessoas e grupos que vêem as manifestações populares como algo menor, feio, imoral, ou por grupos religiosos”, disse Marcos Ayala.
Bens inventariados
Sob aplausos, e por unanimidade, o samba carioca tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, sob registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Sambistas da velha guarda, como Nelson Sargento e Monarco, comemoraram com alegria e lembraram dos tempos em que o sambista era perseguido e tachado até de malandro. “O samba é finalmente cidadão brasileiro com todas as letras”, alegrou-se Sargento.
Em junho do ano passado o Iphan também registrou no seu livro de formas de expressão do patrimônio cultural imaterial brasileiro (livro de tombo), o décimo bem de natureza imaterial, o popularmente conhecido Tambor de Crioula da cidade de São Luis do Maranhão.
O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, lembrou que a conquista servirá para salvaguardar essa forma de expressão, que foi dividida em três matrizes - o samba de terreiro, o partido-alto e o samba-enredo. “Alguns ingredientes do samba estão desaparecendo, como a cuíca. Outros, precisam ser documentados, como o partido-alto. Tornando-se Patrimônio Cultural, o samba poderá ter políticas públicas voltadas para ele, em cima de pontos específicos”, explicou.
Os patrimônios imateriais são aqueles que denotam a forma de pensar e de ver o mundo, como cerimônias, danças e artesanatos. “Pena que Cartola, Paulo da Portela e Carlos Cachaça não estão mais conosco para verem o samba ser respeitado e reconhecido como eles tanto gostariam de ver. Eles, que foram tão perseguidos, devem estar felizes lá em cima. Devem estar fazendo um samba em homenagem ao samba”, brincou Monarco.
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Adriana Crisanto
Adriana Crisanto Monteiro É jornalista por ganha pão. Graduada em Jornalismo e Relações Públicas, por insistência, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com especialização em Jornalismo Cultural pela FIP/Fundação Francisco Mascarenhas por mistérios nunca antes explicado. Repórter do Jornal O Norte, Grupo Diários Associados Paraíba. DRT n. 1455/02-99.http://paraibanews.com/author/drica
adrianacrisanto@gmail.com
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31/03/08 às 2:47
Ai chatos eu quero é
rio grande do norte…Eu n aguento
mais procura tá dando um negocio
por dentro.
01/04/08 às 10:58
Prezada Roberta,
Não entendi o seu comentário. Vc poderia explicar melhor o que tem deixado vc tão chateada? E o que vc procura a respeito do patrimônio imaterial no Rio Grande do Norte? Posso ajudar?
Um abraço.
Adriana Crisanto
Autora do texto.