Pedro Cardoso da Costa » Colunistas | Colunistas [d6]
Publicado em 17/08/2008 às 21:54 -

Perder é a regra!

Após as Olimpíadas de Atenas escrevi criticando a falta de políticas governamentais efetivas para os chamados esportes amadores; que a imprensa brasileira só falava deles durante a realização dos jogos olímpicos. Quatro anos se passaram e a imprensa, o rádio e a televisão continuaram a falar somente de futebol, o governo federal, os estaduais e os seis mil municipais nem falaram de esporte e muito menos fizeram quaisquer investimentos e os resultados são os mesmos. Ou seja, uma medalha de ouro até aqui e talvez seja a única, ou mais uma, duas no vôlei.

Não é fácil mudar a mentalidade generalizada de aceitar o fracasso como resultado natural quando está em jogo, quando a vitória, sim, seria o normal, combater a omissão das autoridades, dos atletas, da imprensa e da sociedade brasileira parece impossível. Atletas favoritos os são apenas até o início dos jogos olímpicos.

Durante os jogos olímpicos, o que se ouve no Jornal Nacional e em outros programas de televisão é o verbo perder. Chega doer no ouvido a repetição de perdeu… perdeu… perdeu… Perde-se tanto, que os apresentadores costumam utilizar sinônimos. Os mais comuns são: “foram derrotados por… não passaram pelas…não atingiram o índice classificatório”. Até isso se ouve. Os nossos narradores e comentaristas são autênticos palpiteiros, torcedores e tornam-se uns chatos. Trariam maior benefícios a todos se fossem mais técnicos e mais profissionais nas suas avaliações.

Já os atletas trazem a lição decorada para as justificativas pelas derrotas. Todas muito tolas e descabidas. Ouve-se com freqüência “lutamos muito; valeu pela luta; a gente aprende com as derrotas”; nesta já deveriam ser doutores em cada esporte. A mais recente é o pedido de desculpa ao povo. Tudo que as autoridades fazem, a começar pelo presidente da República, é tirar fotos na abertura, recebê-lo no Planalto, quando algum atleta ganha por esforço pessoal descomunal, uma bizarrice a que os atletas não deveriam se submeter.

Na próxima abordagem pretendemos falar sobre as estatísticas, que a imprensa não cita, sobre eventuais projetos para massificar os demais esportes, sobre alguns vícios que prejudicam nossos atletas, como a desmotivação fácil. O jogo de deboche contra a China do futebol masculino foi exemplar. Isso não permitiria ao Brasil ter seu Michael Phelps, pois com duas de ouro, o atleta brasileiro já perderia toda a motivação. Imagine que a seleção brincou contra a China sem nunca ter vencido um título olímpico! A continuar assim, vão faltar sinônimos para o verbo perder. Ganhar uma, duas ou três, não e só inaceitável, é vexatório, vergonhoso!

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Pedro Cardoso da Costa

Pedro Cardoso da Costa, tem 44 anos e nasceu em Nova Soure, BA. Em 1980, como a maioria dos nordestinos, mudou-se para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Depois de sucessivas tentativas e desistências, por não concordar com a metodologias do ensino, cursou Direito nas Faculdades Metropolitanas Unidas. Inventou curso particular de alfabetização de adultos. Mantém uma biblioteca comunitária em sua cidade natal. É funcionário, concursado, da Justiça Eleitoral há 22 anos, onde exerceu cargo de direção por algum tempo.É crítico contumaz da inércia da sociedade brasileira nas várias questões de cidadania, da morosidade vergonhosa das Justiças brasileiras.

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