Célia Leal » Colunistas | Cultura
Publicado em 16/02/2008 às 8:29 -
Beto Quirino: das ruas de João Pessoa a Portelinha da Rede Globo
Ator paraibano estreou na minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes
Alberto Quirino, ator conhecido na capital paraibana pelas mamulenguices do seu teatro de bonecos, vive hoje um dos melhores momentos de sua vida. Tudo começou quando fez um teste pela produção do núcleo da autora Gloria Perez que selecionava, aqui em João Pessoa, novos atores para a minissérie global “Amazônia: de Galvez a Chico Mendes”.
Apesar de a escolha ter sido obra do acaso, Beto Quirino vem se firmando no cenário televisivo e quem pensou que sua participação terminaria com o fim da minissérie, se enganou. Hoje, amplia seus laços e é presença diária no horário nobre da Rede Globo, precisamente, na novela Duas Caras onde interpreta “Mestre”, um dos anões da tropa de choque do Juvenal Antena, o poderoso da Portelinha, interpretado por Antonio Fagundes.
Na entrevista exclusiva a seguir o ator, apaixonado por teatro de bonecos, fala da sua trajetória, desse momento, dos convites e dos planos que tem para 2008. Só pra situar quem foi Beto Quirino por aqui, ele atuou no espetáculo, “Pra te comer melhor”, “A maldição de Carlota” e “As esposas”. Dirigiu vários grupos de teatro voltado para as crianças de comunidades carentes e hoje vive o ritmo alucinante das gravações da novela Duas Caras, no Projac, Rio de Janeiro.
1. O que te levou a participar da seleção de atores para a serie “Amazônia: de Galvez a Chico Mendes”?
B.Q.- Eu sempre acho que as coisas não acontecem por acaso e a minha participação na minissérie “Amazônia…” foi muito engraçada, porque partiu de um “acaso”. Uma amiga, a Eliane Silva, bibliotecária, foi escalada pra fazer um teste na minissérie “A pedra do reino”, obra de Ariano Suassuna, e me pediu para ajudá-la numa cena que ela iria fazer. Na ocasião, fiquei sabendo do teste quando fui até o Espaço Cultural (espaço de cultura situado em João Pessoa) para fazer o teste também, porém, quando cheguei lá descobri que não poderia fazer, por que já tinha havido uma pré-seleção. Mesmo assim, consegui fazer. Um belo dia recebo um telefonema da Rede Globo. Era uma produtora de elenco dizendo que tinha visto o meu teste e tinha gostado. Até então eu pensava que fosse o pessoal da produção da minissérie “A Pedra do Reino,” mas, para minha surpresa, era a produção da “Amazônia….”
2.Você veio de uma prática de artes nas ruas. Trabalhar numa rede privada, como a Globo, não te limita?
Beto Quirino - Não porque sempre que estou em um novo trabalho, na realidade, estou ampliando os meus horizontes. No caso da Rede Globo, é uma experiência muito boa, por se tratar de um novo veículo de trabalho (para mim). Isso faz com que seja sempre tempo de descobertas.
3. Hoje você vive o anão “Mestre” que atua com o personagem Juvenal Antena, na novela Duas Caras, interpretado por Antonio Fagundes. Foi a serie que te abriu as portas ou você considera esse passo a passo natural numa rede do porte da Globo?
B.Q.- A minissérie ajudou bastante, mas para “Duas Caras”, tive que enfrentar um teste novamente, onde havia bastante gente, muito mais que para a minissérie “A Pedra do Reino”. Foram cerca de quinhentas pessoas.
4. Nós do lado de cá sempre temos algumas curiosidades em relação aos bastidores.Como é o relacionamento entre os atores veteranos e os novatos?
B.Q.-Comigo está sendo muito bom. Não vi nenhum processo discriminatório, pelo contrário, Ivan Almeida que interpreta o Misael Caó, pai do Evilázio, interpretado por Lázaro Ramos, na novela, me deu a maior força, assim como o próprio Lázaro, o Antonio Fagundes… todos estão sendo muito gentis.
5. Há uma espécie de camaradagem por parte dos atores do staf global em relação ao artista iniciante?
B.Q.-A maior camaradagem que aconteceu comigo foi por parte do ator André Gonçalves, que me acolheu durante 7 meses em sua casa. Sempre esteve me estimulando e me mostrando que vale a pena lutar pelo nosso ideal. Devo muito a ele, pois sua participação no meu processo de ingresso ao mundo da Rede Globo foi bastante decisiva.
6. Quem mais você destaca nessa força da sua caminhada como um todo?
B.Q – Olha, camaradagem mesmo, entre amigos de verdade, foi aí em João Pessoa e isso também me ajudou bastante.Cito vários nomes, como Cida Alves (cantora) e Félix, seu companheiro; Feduca (irmão do cantor Chico Viola); Bruno Tozzi; professor Tavares (do curso de Sociologia); Zé Maria (livreiro); Chico Ribeiro (do Alto do Mateus); Arturo e Milton Marques (dois irmãos caba da peste); ao pessoal da Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba-AdufPb; Bárbara (preto) que sempre esteve ao meu lado; Domilson (mulher, risos); Aderaldo Luciano (um professor aqui do Rio); Bel; Lucinha (ex-companheira)… é tanta gente que peço mil desculpas aos que esqueci.
7. Na Paraíba, especialmente em João Pessoa, quem te conhece fica orgulhoso da sua ascensão. O sucesso te assusta?Como você lida com isso?
B.Q.- Na minha opinião o sucesso é uma faca de dois legumes (risos). Ele é bom enquanto reconhecimento, mas a partir do momento que começa a tirar a privacidade, já passa a ter um caráter negativo. Por enquanto eu lido bem com isso, pois sempre vi o meu trabalho como um outro qualquer (sem falsa modéstia) até porque você tem dentistas famosos, advogados, arquitetos enfim cada profissão te leva ao sucesso.
8. Você acha interessante que a seleção para novos atores passe por, pelo menos, todas as capitais brasileiras?
B.Q.-Claro que é importante que haja uma seleção que abranja todo o país, afinal de contas existem talentos em todo lugar. O monopólio do eixo Rio-São Paulo precisa ser revisto. Como também deve haver mais incentivo por parte das instituições á cultura e que não fiquem só no papel, embora esse meu discurso esteja gasto, mas, pelo menos, não vejo como há outra forma de conseguir fazer com que sejam descobertos novos valores.
9. Você sempre foi um homem apaixonado por teatro de bonecos. A chama desta paixão continua acesa? Há planos para eles este ano?
B.Q.- Os bonecos sempre estarão comigo. Sempre tenho planos para com eles, porém uma coisa especificamente para este ano ainda não pintou.
10.Como você está vivendo no RJ? Fale um pouco da sua rotina de ator?
B.Q.- A minha rotina aqui é bastante intensa, pois o ritmo de gravação é bastante acelerado. Pra você ter idéia, tem dia que eu chego no Projac (set de gravação) às 10 da manhã e saio lá pelas 3 da madrugada, mas eu tô fazendo o que gosto, e quando isso acontece é muito bom, porque eu não sou um dentista que queria ser advogado, sempre fiz aquilo que sempre gosto. E o meu dia-a-dia é normal com ida a barzinhos, cinema, teatro etc.
11. E os planos gerais para 2008?
B.Q.- Desejo para 2008, muito trabalho, rever João Pessoa, continuar nessa coisa gostosa que eu faço “derna de antes da guerra…” kkkkkkkkkkkkkkk.
12.Qual a sua expectativa com relação à Rede Globo?
B.Q.- Continuar mostrando o meu trabalho e fazendo mais amigos.
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Célia Leal
Célia Leal - Jornalista e Relações Publicas, graduada pela UFPB. Como repórter durante 15 anos, foi premiada algumas vezes. Já tendo atuado com destaque nos jornais A União, Correio da Paraíba e O Norte, além ter assessorado vários sindicatos, políticos e ONG,s. Também foi produtora e editora da Revista Mosaico, redatora do Portal Correio e do telejornal Cidade Revista.http://paraibanews.com/author/celia
jornalista.celialeal@hotmail.com
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20/02/08 às 11:32
Beto é amigo de vida e copos pela bela João Pessoa, ator de brilho próprio, talento que brota da sua excencia. Me faz vê novela, pois não perdemos o contacto e quando estou em casa vejo e mato saudades desse grande amigo. Tem conseguido o que merece e merece muito mais, sucesso e bola pra frente.
Rosildo Oliveira
23/02/08 às 9:48
Sempre mantive contato pessoal e profissional com BETO QUIRINO, estamos na luta do movimento cultural paraibano, desde muitos anos , fui e vim várias vezes e nunca nos perdemos na volta. Estou torcendo bastante para que os testes sempre ocorram em sua estrada GLOBAL, pois para mim ele continua fazendo sucesso e alegria profissional, seja em minessérie, novela, ou teatro.
Agradeço nossa parceria em SEMANA DE ARTE CULTURAL DE DIREITO, ANJO AZUL e vida.
Te amo véio
beijo grande de
Ednamay